quinta-feira, 23 de março de 2017

Terror em Londres


360º - Terror em Londres: os detidos, os raides da polícia e as histórias dos portugueses - Por Miguel Pinheiro, Diretor Executivo
Sete pessoas foram detidas ao começo da manhã de hoje em seis raides policiais em Londres e Birmingham. A operação surge na sequência do ataque terrorista de ontem, que provocou quatro mortos e 20 feridos junto ao Parlamento britânico.

Entre os 40 feridos em Londres está um português, Francisco Lopes, de 26 anos. Ficou com dois cortes na perna esquerda e um na mão, foi assistido no hospital e teve alta ao fim do dia. Em declarações ao Observador, manteve a coragem: "Não podemos mostrar medo".

Outro português era casado com uma das vítimas mortais, Aysha Frade. No Observador, já temos um liveblog aberto para seguir este dia pós-atentado. Acompanhe tudo ao minuto aqui.

Do caos e do terror de ontem, saiu uma história que nos conforta: Tobias Ellwood, ministro para a Commonwealth, viu o polícia esfaqueado no chão e ajoelhou-se imediatamente para o ajudar, prestando-lhe os primeiros socorros. No Twitter alguém o chamou, simplesmente, "um homem bom".

Para perceber melhor a enorme confusão do dia:
·  Estas fotos mostram as primeiras horas depois do ataque;
·  Estes vídeos permitem ver como tudo se passou;
·  Estes testemunhos dão detalhes sobre o que aconteceu;
·  Estes cartoons de homenagem revelam como o ataque foi sentido em todo o mundo;
·  Estas capas dos jornais simbolizam a reação dos britânicos.



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

KANT - AUGUSTO COMTE

Kant, foi um grande filósofo, alemão que viveu entre 1724 -1804, que completou o princípio de Aristóteles, já desenvolvido por Leibniz, relativo ao conceito Estático da Inteligência, combinando a influência Objetiva, reconhecida pelo grande filósofo grego, com a influência Subjetiva, desenvolvida por Leibniz :


Aristóteles: “Nada existe na Inteligência, que não provenha da sensação”, desenvolvida por Leibniz, que disse: “a não ser a própria Inteligência”; complementada por Kant, que esclareceu os termos de Subjetivo e Objetivo, da harmonia desta conclusão, preparando assim, a consolidação da unidade da Natureza Humana, estendendo a seu organismo Cerebral, tanto como ao Corporal, a subordinação ao Meio Exterior, que o serve de alimento, de excitante e de regulador.

Com estas informações o Mestre dos Mestres, Augusto Comte, teve condição de perceber a existência, de mais uma das 15 Leis Naturais, isto é, a quarta Lei da Filosofia Primeira, que se refere à ordem Subjetiva, e estabeleceu a subordinação, de suas construções, aos materiais Objetivos:

Lei da Construção Subjetiva - Pertencente à Seção mais Subjetiva das 15 Leis Naturais - Filosofia Primeira ou Fatalidade Suprema - do Segundo Grupo Essencialmente Subjetivo - da Segunda Série - das Leis Estáticas do Entendimento –  Lei esta percebida por Augusto Comte.

            “Subordinar as construções Subjetivas, aos materiais Objetivos”.
           
A Construção subjetiva é o que o nosso encéfalo elabora. Tudo o que pensamos, partindo de nós, provindo do sujeito, é por isso criação nossa, criação subjetiva. Mas tal construção não surge espontaneamente; não é inata. Resulta de elementos que ao Homem fornece o Mundo; provém de objetos introjetados, pelo sujeito; nasce de materiais objetivos. De sorte que toda construção subjetiva promana de uma correspondência entre dois mundos: o exterior - objetivo, e o interior - subjetivo.  Toda concepção depende do Homem e do Mundo, do sujeito e do objeto.

Devemos ao criar, criar explicitamente com base nas informações exteriores.

Evidenciemos a universalidade da Lei da Construção Subjetiva, verificando sua presença em todas as sete ciências positivas.

Na Matemática: Em uma superfície plana, a linha reta é o caminho mais curto entre dois pontos.Formula-se uma proposição oriunda da realidade refletida com relativa exatidão. A observação direta e precisa dos fatos geométricos, leva-nos a tal postulado.

Na Astronomia: A observação telescópica de certos fenômenos astronômicos levou alguns cientistas a formularem modelos matemáticos, levando-os a conclusões subjetivas, que depois foram comprovadas praticamente

Na Física: As observações objetivas realizadas em termologia levaram o Cientista Kelvin, por extrapolação à concepção teórica (subjetiva) do zero absoluto, temperatura esta que corresponderia ao esperado estado de ausência total de movimento da matéria (moléculas e sub partículas). 


Na Química: O químico Kekulé, ao estudar a fórmula estrutural do benzeno, observando os macacos se “divertindo” no zoológico, deparou-se com a seguinte cena: as duas mãos de um determinado macaco seguravam o rabo do outro, foi ai que se deu o estalo subjetivo - insight - imaginando com sua inteligência e raciocínio, as ligações duplas e simples alternadas do C6H6 (Benzeno), comprovando ai existência do carbono tetravalente: ajustando depois sua hipótese a experiências objetivas.

Na Biologia: Observando-se a dependência Objetiva de uma espécie em relação à outra se concebeu a noção de rede alimentar; esta noção serviu de base para interpretações subjetivas de um equilíbrio ecológico absoluto, em que todas as espécies desempenhariam um papel crucial, isto é, indispensável para com o restante do sistema; todavia, deve-se ajustar esta ultima concepção Subjetiva, de modo a evitar exageros absurdos, tais como o de não se eliminar espécies danosas, que provocaria uma elevação do tempo de vida das espécies positivas e convergentes.
                                                              
Na Sociologia: As observações (Objetiva) das Condições Morais, Geológicas, Geográficas, Econômicas, Culturais, de Fé, de Linguagem e de Educação, dependendo de suas intensidade e correlações, apontam a resultante, por análise Subjetiva, do encaminhamento, isto é, da tendência de uma sociedade, indicando os fatos futuros que poderão ocorrer, desde que não haja significativas oscilações nos fatores anteriormente observados; esta perspectiva uma vez dada vem regular-se por sua vez com o próprio encadeamento dos fatos.

Na Moral: As observações sobre as ações de um determinado indivíduo (objetiva), nos leva subjetivamente a indicar a resultante do seu futuro comportamento, em casos em que não foram observados anteriormente sob forma objetiva. Extrapolando inclusive para grupos de indivíduos de moral semelhante; e o acompanhamento da sua evolução pessoal vem, por sua vez regular a hipótese primordialmente formulada.

Augusto Comte está a anos luz na frente de Kant; mas se não fosse Aristóteles, Kant, Leibniz e outros, Augusto Comte provavelmente nada poderia ter feito, para chegar a onde chegou. Filosofia Científica.


Augusto Comte  sempre procurou comungar com as Leis Naturais para explicar os comportamentos dos fenômenos matemáticos, astronômicos, físicos, químicos, biológicos e registrou o que percebeu no comportamento humano em sociedade e registrou as Leis Naturais da Ciência Sociologia Positiva e mais tarde as Leis da Ciência da Construção ou Psicologia Científica, também conhecida Ciência Teórica Moral Positiva.

http://sccbesme-humanidade.blogspot.com.br/2013/01/em-teste-sinopse-das-15-leis-naturais.html

 Que comandam e são comuns  as 7 Ciências: matemática , astronomia, física, química, biologia, sociologia positiva e moral positiva.

Paulo Augusto Lacaz





  

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL


'The Fourth Industrial Revolution: what it means, how to respond' - by Klaus Schwab Founder and Executive Chairman, World Economic Forum - Thursday 14 January 2016

[........."The Fourth Industrial Revolution, finally, will change not only what we do but also who we are. It will affect our identity and all the issues associated with it: our sense of privacy, our notions of ownership, our consumption patterns, the time we devote to work and leisure, and how we develop our careers, cultivate our skills, meet people, and nurture relationships. It is already changing our health and leading to a “quantified” self, and sooner than we think it may lead to human augmentation. The list is endless because it is bound only by our imagination".......] (see video at article link) https://www.weforum.org/…/the-fourth-industrial-revolution…/ 

"We stand on the brink of a technological revolution that will fundamentally alter the way we live, work, and relate to one another. In its scale, scope, and complexity, the transformation will be unlike anything humankind has experienced before. We do not yet know just how it will unfold, but one thing is clear: the response to it must be integrated and comprehensive, involving all stakeholders of the global polity, from the public and private sectors to academia and civil society.
The First Industrial Revolution used water and steam power to mechanize production. The Second used electric power to create mass production. The Third used electronics and information technology to automate production. Now a Fourth Industrial Revolution is building on the Third, the digital revolution that has been occurring since the middle of the last century. It is characterized by a fusion of technologies that is blurring the lines between the physical, digital, and biological spheres.
There are three reasons why today’s transformations represent not merely a prolongation of the Third Industrial Revolution but rather the arrival of a Fourth and distinct one: velocity, scope, and systems impact. The speed of current breakthroughs has no historical precedent. When compared with previous industrial revolutions, the Fourth is evolving at an exponential rather than a linear pace. Moreover, it is disrupting almost every industry in every country. And the breadth and depth of these changes herald the transformation of entire systems of production, management, and governance.
The possibilities of billions of people connected by mobile devices, with unprecedented processing power, storage capacity, and access to knowledge, are unlimited. And these possibilities will be multiplied by emerging technology breakthroughs in fields such as artificial intelligence, robotics, the Internet of Things, autonomous vehicles, 3-D printing, nanotechnology, biotechnology, materials science, energy storage, and quantum computing.
Already, artificial intelligence is all around us, from self-driving cars and drones to virtual assistants and software that translate or invest. Impressive progress has been made in AI in recent years, driven by exponential increases in computing power and by the availability of vast amounts of data, from software used to discover new drugs to algorithms used to predict our cultural interests. Digital fabrication technologies, meanwhile, are interacting with the biological world on a daily basis. Engineers, designers, and architects are combining computational design, additive manufacturing, materials engineering, and synthetic biology to pioneer a symbiosis between microorganisms, our bodies, the products we consume, and even the buildings we inhabit.
Challenges and opportunities
Like the revolutions that preceded it, the Fourth Industrial Revolution has the potential to raise global income levels and improve the quality of life for populations around the world. To date, those who have gained the most from it have been consumers able to afford and access the digital world; technology has made possible new products and services that increase the efficiency and pleasure of our personal lives. Ordering a cab, booking a flight, buying a product, making a payment, listening to music, watching a film, or playing a game—any of these can now be done remotely.
In the future, technological innovation will also lead to a supply-side miracle, with long-term gains in efficiency and productivity. Transportation and communication costs will drop, logistics and global supply chains will become more effective, and the cost of trade will diminish, all of which will open new markets and drive economic growth.
At the same time, as the economists Erik Brynjolfsson and Andrew McAfee have pointed out, the revolution could yield greater inequality, particularly in its potential to disrupt labor markets. As automation substitutes for labor across the entire economy, the net displacement of workers by machines might exacerbate the gap between returns to capital and returns to labor. On the other hand, it is also possible that the displacement of workers by technology will, in aggregate, result in a net increase in safe and rewarding jobs.
We cannot foresee at this point which scenario is likely to emerge, and history suggests that the outcome is likely to be some combination of the two. However, I am convinced of one thing—that in the future, talent, more than capital, will represent the critical factor of production. This will give rise to a job market increasingly segregated into “low-skill/low-pay” and “high-skill/high-pay” segments, which in turn will lead to an increase in social tensions.
In addition to being a key economic concern, inequality represents the greatest societal concern associated with the Fourth Industrial Revolution. The largest beneficiaries of innovation tend to be the providers of intellectual and physical capital—the innovators, shareholders, and investors—which explains the rising gap in wealth between those dependent on capital versus labor. Technology is therefore one of the main reasons why incomes have stagnated, or even decreased, for a majority of the population in high-income countries: the demand for highly skilled workers has increased while the demand for workers with less education and lower skills has decreased. The result is a job market with a strong demand at the high and low ends, but a hollowing out of the middle.
This helps explain why so many workers are disillusioned and fearful that their own real incomes and those of their children will continue to stagnate. It also helps explain why middle classes around the world are increasingly experiencing a pervasive sense of dissatisfaction and unfairness. A winner-takes-all economy that offers only limited access to the middle class is a recipe for democratic malaise and dereliction.
Discontent can also be fueled by the pervasiveness of digital technologies and the dynamics of information sharing typified by social media. More than 30 percent of the global population now uses social media platforms to connect, learn, and share information. In an ideal world, these interactions would provide an opportunity for cross-cultural understanding and cohesion. However, they can also create and propagate unrealistic expectations as to what constitutes success for an individual or a group, as well as offer opportunities for extreme ideas and ideologies to spread.
The impact on business
An underlying theme in my conversations with global CEOs and senior business executives is that the acceleration of innovation and the velocity of disruption are hard to comprehend or anticipate and that these drivers constitute a source of constant surprise, even for the best connected and most well informed. Indeed, across all industries, there is clear evidence that the technologies that underpin the Fourth Industrial Revolution are having a major impact on businesses.
On the supply side, many industries are seeing the introduction of new technologies that create entirely new ways of serving existing needs and significantly disrupt existing industry value chains. Disruption is also flowing from agile, innovative competitors who, thanks to access to global digital platforms for research, development, marketing, sales, and distribution, can oust well-established incumbents faster than ever by improving the quality, speed, or price at which value is delivered.
Major shifts on the demand side are also occurring, as growing transparency, consumer engagement, and new patterns of consumer behavior (increasingly built upon access to mobile networks and data) force companies to adapt the way they design, market, and deliver products and services.
A key trend is the development of technology-enabled platforms that combine both demand and supply to disrupt existing industry structures, such as those we see within the “sharing” or “on demand” economy. These technology platforms, rendered easy to use by the smartphone, convene people, assets, and data—thus creating entirely new ways of consuming goods and services in the process. In addition, they lower the barriers for businesses and individuals to create wealth, altering the personal and professional environments of workers. These new platform businesses are rapidly multiplying into many new services, ranging from laundry to shopping, from chores to parking, from massages to travel.
On the whole, there are four main effects that the Fourth Industrial Revolution has on business—on customer expectations, on product enhancement, on collaborative innovation, and on organizational forms. Whether consumers or businesses, customers are increasingly at the epicenter of the economy, which is all about improving how customers are served. Physical products and services, moreover, can now be enhanced with digital capabilities that increase their value. New technologies make assets more durable and resilient, while data and analytics are transforming how they are maintained. A world of customer experiences, data-based services, and asset performance through analytics, meanwhile, requires new forms of collaboration, particularly given the speed at which innovation and disruption are taking place. And the emergence of global platforms and other new business models, finally, means that talent, culture, and organizational forms will have to be rethought.
Overall, the inexorable shift from simple digitization (the Third Industrial Revolution) to innovation based on combinations of technologies (the Fourth Industrial Revolution) is forcing companies to reexamine the way they do business. The bottom line, however, is the same: business leaders and senior executives need to understand their changing environment, challenge the assumptions of their operating teams, and relentlessly and continuously innovate.
The impact on government
As the physical, digital, and biological worlds continue to converge, new technologies and platforms will increasingly enable citizens to engage with governments, voice their opinions, coordinate their efforts, and even circumvent the supervision of public authorities. Simultaneously, governments will gain new technological powers to increase their control over populations, based on pervasive surveillance systems and the ability to control digital infrastructure. On the whole, however, governments will increasingly face pressure to change their current approach to public engagement and policymaking, as their central role of conducting policy diminishes owing to new sources of competition and the redistribution and decentralization of power that new technologies make possible.
Ultimately, the ability of government systems and public authorities to adapt will determine their survival. If they prove capable of embracing a world of disruptive change, subjecting their structures to the levels of transparency and efficiency that will enable them to maintain their competitive edge, they will endure. If they cannot evolve, they will face increasing trouble.
This will be particularly true in the realm of regulation. Current systems of public policy and decision-making evolved alongside the Second Industrial Revolution, when decision-makers had time to study a specific issue and develop the necessary response or appropriate regulatory framework. The whole process was designed to be linear and mechanistic, following a strict “top down” approach.
But such an approach is no longer feasible. Given the Fourth Industrial Revolution’s rapid pace of change and broad impacts, legislators and regulators are being challenged to an unprecedented degree and for the most part are proving unable to cope.
How, then, can they preserve the interest of the consumers and the public at large while continuing to support innovation and technological development? By embracing “agile” governance, just as the private sector has increasingly adopted agile responses to software development and business operations more generally. This means regulators must continuously adapt to a new, fast-changing environment, reinventing themselves so they can truly understand what it is they are regulating. To do so, governments and regulatory agencies will need to collaborate closely with business and civil society.
The Fourth Industrial Revolution will also profoundly impact the nature of national and international security, affecting both the probability and the nature of conflict. The history of warfare and international security is the history of technological innovation, and today is no exception. Modern conflicts involving states are increasingly “hybrid” in nature, combining traditional battlefield techniques with elements previously associated with nonstate actors. The distinction between war and peace, combatant and noncombatant, and even violence and nonviolence (think cyberwarfare) is becoming uncomfortably blurry.
As this process takes place and new technologies such as autonomous or biological weapons become easier to use, individuals and small groups will increasingly join states in being capable of causing mass harm. This new vulnerability will lead to new fears. But at the same time, advances in technology will create the potential to reduce the scale or impact of violence, through the development of new modes of protection, for example, or greater precision in targeting.
The impact on people
The Fourth Industrial Revolution, finally, will change not only what we do but also who we are. It will affect our identity and all the issues associated with it: our sense of privacy, our notions of ownership, our consumption patterns, the time we devote to work and leisure, and how we develop our careers, cultivate our skills, meet people, and nurture relationships. It is already changing our health and leading to a “quantified” self, and sooner than we think it may lead to human augmentation. The list is endless because it is bound only by our imagination.
I am a great enthusiast and early adopter of technology, but sometimes I wonder whether the inexorable integration of technology in our lives could diminish some of our quintessential human capacities, such as compassion and cooperation. Our relationship with our smartphones is a case in point. Constant connection may deprive us of one of life’s most important assets: the time to pause, reflect, and engage in meaningful conversation.
One of the greatest individual challenges posed by new information technologies is privacy. We instinctively understand why it is so essential, yet the tracking and sharing of information about us is a crucial part of the new connectivity. Debates about fundamental issues such as the impact on our inner lives of the loss of control over our data will only intensify in the years ahead. Similarly, the revolutions occurring in biotechnology and AI, which are redefining what it means to be human by pushing back the current thresholds of life span, health, cognition, and capabilities, will compel us to redefine our moral and ethical boundaries.
Shaping the future
Neither technology nor the disruption that comes with it is an exogenous force over which humans have no control. All of us are responsible for guiding its evolution, in the decisions we make on a daily basis as citizens, consumers, and investors. We should thus grasp the opportunity and power we have to shape the Fourth Industrial Revolution and direct it toward a future that reflects our common objectives and values.
To do this, however, we must develop a comprehensive and globally shared view of how technology is affecting our lives and reshaping our economic, social, cultural, and human environments. There has never been a time of greater promise, or one of greater potential peril. Today’s decision-makers, however, are too often trapped in traditional, linear thinking, or too absorbed by the multiple crises demanding their attention, to think strategically about the forces of disruption and innovation shaping our future.
In the end, it all comes down to people and values. We need to shape a future that works for all of us by putting people first and empowering them. In its most pessimistic, dehumanized form, the Fourth Industrial Revolution may indeed have the potential to “robotize” humanity and thus to deprive us of our heart and soul. But as a complement to the best parts of human nature—creativity, empathy, stewardship—it can also lift humanity into a new collective and moral consciousness based on a shared sense of destiny. It is incumbent on us all to make sure the latter prevails".
This article was first published in Foreign Affairs
Author: Klaus Schwab is Founder and Executive Chairman of the World Economic Forum
Image: An Aeronavics drone sits in a paddock near the town of Raglan, New Zealand, July 6, 2015. REUTERS/Naomi Tajitsu
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sábado, 17 de dezembro de 2016

JUSTIÇA E JUSTO PELO CUNHO TEOLÓGICO NA BÍBLIA

Boa noite Sr. Paulo!

  Conforme conversa anterior, aqui tento passar em poucas palavras alguns textos de versículos encontrados na Bíblia,  sobre o JUSTO e sobre JUSTIÇA.

  A priori, uma das características da personalidade de ELOHIM, (DEUS), é a Justiça. O Deus bíblico dotou o Ser humano, de uma inteligência superior aos outros animais deliberando a este, fazer escolhas baseadas em regras criadas em sua convivência social  e posteriormente em regras Morais reveladas aos Hebreus e que deveriam ser passadas para todas as civilizações, para que uma forma superior de justiça fosse exercida. Infelizmente os Hebreus, não entenderam a profundidade dessa revelação e dessas normas e falharam na sua propagação.

  No livro de Levítico encontramos alguns preceitos sobre Justiça:

LEVÍTICO CAPÍTULO 19, VERS.15 = " Não fareis injustiça no juízo: não aceitarás o pobre, nem respeitarás o grande; com justiça julgarás o teu próximo" ( ou seja, deveria haver imparcialidade no julgamento de alguma falta de alguém, seja pobre ou rico, o tratamento deveria ser igual..)

No mesmo texto de cap.19, vers.35,= "Não cometereis injustiça no juízo, nem na vara, nem no peso, nem na medida". (novamente uma norma impositiva  exigindo que a  imparcialidade fosse aplicada no meio do povo.

DEUTERONÔMIO = CAPITULO 25, VERS.01 = " Quando houver contenda entre alguns, e vierem a juízo para que os juízes os julguem, ao justo justificarão e ao injusto condenarão"... ( mais uma exigência para que o povo fosse imparcial no julgamento)...

PROVÉRBIOS CAP.10, VERS. 16, = " A obra do Justo conduz à vida, as produções do ímpio, à desobediência."  ( O texto exalta  o indivíduo que constrói o que é correto, faz o que é certo, sua obra será edificante e trará resultados positivos..., já o ímpio, suas atitudes de desobediência lhe trarão malefício por ser desobediente.)

SALMO 146, PARTE FINAL DO VERSÍCULO 8 = "...o Senhor ama os justos". ( Devido à sua natureza,  DEUS também se agrada daqueles que são justos e praticam a justiça, sejam religiosos ou não..."


PROVÉRBIOS CAP.11, VERS.10, partes A e B =  " Na prosperidade dos Justos, a cidade exultará..."

  Os serem humanos tem inteligência para escolherem o caminho que quiserem trilhar, seja para o bem, seja para o mal .DEUS não interfere nisso... Pois tudo que o Ser Humano semear ele irá colher...( quando alguém governa de forma ruim, a sociedade toda perece...) mas se um JUSTO  procurar aplicar a justiça, seu valor será reconhecido e colherá a benesses de suas atitudes  e a sociedade se alegrará.

PROVÉRBIOS CAP.29, VERS.02 = "Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas, quando o ímpio domina, o povo geme"...( mesma interpretação do versículo anterior)

  Muito embora, tais textos sejam  referidos no Antigo Testamento,   o seu valor Moral foi repassado à EKLESIA, (igreja), para que todos aqueles que se dizem Cristãos, também exerçam  Atos Justos e pratiquem  a Justiça, seja em qualquer setor da sociedade, começando dentro de sua casa, com sua família.

  Os valores morais são o alicerce de uma Vida Cristã condigna, porque a IGREJA tem a responsabilidade e o DEVER de elevar o nível de uma Sociedade Corrompida  ao patamar do moralmente aceitável.

 Não há como desvincular a Fé Cristã da conduta de seu fiel, se o indivíduo professa ter acolhido a fé cristã, ele também deve zelar por ter uma vida de acordo com os Princípios Morais que lhe são ensinados pela Palavra de Deus.

   Aqui se enquadra o Pastor, o Padre, o Papa,o Rabino, o Bispo, o Diácono e toda a membresia de uma Igreja, Sinagoga, Templo, ou seja, todos os fiéis.

  Deus haverá de trazer à luz de sua Justiça, para todos nossos feitos, nessa vida humana, em uma visão apocalíptica e final, onde todos nós teremos que passar por um julgamento diante Dele, e o que a maioria irá apresentar 

     Fica aqui nossa reflexão de forma singela sobre a Conduta Moral dos Cristãos, no que se refere ao Justo e a Justiça.

      Um grande abraço e que Jesus lhe ilumine,

                DO SOU AMIGO E PASTOR EVANGÉLICO
     




sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A CHAVE DO LÉXICO DE AUGUSTO COMTE.


A CHAVE DO LÉXICO DE AUGUSTO COMTE.
 Dr. Ângelo Torres - UERJ 1997.


Este é esboço de um pequeno vocabulário destinado a explicitar a nomenclatura específica usada por Augusto Comte em suas obras.  Servirá como auxílio à compreensão de suas idéias, para evitar que o pesquisador se veja iludido com a mudança semântica devida ao tempo e com as alterações introduzidas pelo próprio filósofo. Essa combinação deformadora pode levar muitos estudiosos a cair em verdadeiras armadilhas postas no caminho de leitores ingênuos e de compiladores apressados.  A chave não tem a pretensão de cobrir todo o vocabulário filosófico de Comte e muito menos todas as expressões da filosofia em geral, destinando-se apenas a elucidar os conceitos mais polêmicos do pensador.  Muitas lacunas serão notadas, sem que sejam propositais.   Palavras que faltam deverão, mais tarde, ser aí colocadas, e algumas, menos importantes, poderão ser retiradas, em nova redação.   A colaboração recebida por meio de críticas e de sugestões será bem aceita.

Os termos procuram expressar o pensamento do filósofo, a ser posto para estudo e discussão.  Ao lexicógrafo de momento não compete aqui apoiar nem combater essas idéias.  As atualizações conceituais estão no mesmo caso; apenas são referidas as idéias contemporâneas em acordo ou em oposição com as propostas de Comte.   Essa atualização é que justifica constarem teorias e teses de nossos dias neste trabalho, que não fica limitado, pois apenas ao vocabulário histórico e à conceituação da época do pensador.
As indicações bibliográficas para o texto do filósofo não são compreensivas, porque o autor tem cada conceito posto em várias obras e em múltiplos pontos em cada obra.  Procurou-se mostrar no texto as referências mais ligadas ao assunto.

De maneira geral a conceituação e as definições não são completas, destinando-se apenas a remeter o leitor ao texto original, para a pesquisa por sua leitura integral.   Alguma ajuda poderá ser obtida com os índices alfabéticos indicados a seguir.

 

INDEXAÇÃO


   Recomenda-se para a pesquisa dos textos de Augusto Comte o índice alfabético da tradução inglesa do Système de Politique, em conjunto com o seu sumário itemizado, remissivo às notas de margem apostas ao texto.  A edição francesa tem também um índice alfabético, feito com base do índice da versão inglesa.  Outros índices que podem ajudar encontram-se no Catecismo Positivista e nas Ultimas Concepções de Augusto Comte, de Teixeira Mendes, 1898.   O Cours de Philosophie não tem indexação, mas a versão e condensação de Miss Martineau é apresentada com itemização, que pode ser consultada em seu sumário.

São de grande utilidade os diversos quadros sinóticos de Comte.

A CHAVE DO LÉXICO DE AUGUSTO COMTE

absoluto 
“O único princípio absoluto é que tudo é relativo”.
APELO, 34; POLITIQUE,IV,Apêndice,p.II.
Ver:  relativo

 

abstração

A abstração é o processo mental que retira dos entes os atributos ou fenômenos de sua origem no ser, por meio de uma operação interior na mente do sujeito observador. Nesse plano abstrato é que se situam os sonhos, os ideais, os deuses, os princípios filosóficos e a ciência pura positiva.
POLITIQUE,I,424;  IV,170
Ver: regra.

 

afeição, sentimento

É o motor instintivo que comanda o animal para a reflexão e para agir ou para preparar-se para a ação, sendo o mais importante dos três atributos humanos: amar, pensar, agir. Para a afeição, a Lei dos 3 estados seria:  os sentimentos primeiro são domésticos, depois cívicos e depois planetários ou universais.
POLITIQUE, I,12
Ver conhecimento.

alienação crônica

Constitui a situação da doença do mundo ocidental com o fim da civilização medieval, rompendo-se a harmonia mental do indivíduo e a coesão social reinante no feudalismo e no catolicismo até o século XIII. 
POLITIQUE, II, 458
Ver  crise da modernidade


alma

É o conjunto de  funções de relação  apresentadas pelos animais, que têm alma, “anima”. As funções da alma são comprovadamente exercidas pelo aparelho cerebral, que articula a sensibilidade com a contractilidade.
POLITIQUE, I, 680

 

altruísmo

Neologismo criado por Augusto Comte para definir a afeição social, o sentimento que leva o animal a agir em favor de outro. É o oposto ao egoísmo;  é o sentimento social, o amor, o instinto simpático, oposto às tendências da personalidade, da individualidade.  É a origem da coesão social, em duas formas, a solidariedade no espaço, do grupo em cada época e a continuidade no tempo, promovendo a convergência no ser coletivo nas diversas gerações.
POLITIQUE, I, 679
Ver  continuidade, Clotilde de Vaux, humanidade, solidariedade

 

ambigüidade 

É o significado duplo ou múltiplo de uma palavra. Na linguagem vulgar a ambigüidade revela relações conceituais registradas pelo senso comum, que podem ter grande valor filosófico. Como no caso da palavra coração e da palavra humanidade.  Comte sugere a elaboração de um dicionário de tais  équivoques.
COURS, IV,491,492

 

animismo 

Explicação do mundo por meio das vontades dos objetos concretos, ou  fetichismo. O termo animismo tem o inconveniente de indicar a presença de uma  “alma”  ou espírito nos corpos.  Os povos primitivos , como as crianças, não são capazes de abstração, não podendo imaginar uma alma abstrata, dotada de generalidade.   O ser;  ele próprio,  singular, concreto, é considerado como vivo, numa explicação por  causalidade direta, sem intermediação.  O fetiche, por sua vontade arbitrária, explica os acontecimentos.
POLITIQUE, III, 78
Ver fetichismo.

 

Arrow, Kenneth Joseph

Ver democracia, ver paradoxo de Condorcet, teorema de Arrow,

 

arte

É o domínio filosófico da comunicação que idealiza a realidade, ao passo que a ciência busca representá-la.
POLITIQUE, I,274
Ver   estética, utopia

 

ateísmo

Negação da divindade, colocando em seu lugar uma entidade igualmente inverificável, como a Natureza, o elã vital, a energia cósmica, permanecendo a procura das causas primeiras e finais a serem explicitadas pelas vontades arbitrárias absolutas. O ateísmo é mais hostil à filosofia do que qualquer outro teísmo.
POLITIQUE, I,46,456

 

bíblia

O mais antigo monumento da sabedoria humana, o livro da teocracia hebraica.  Nela está representada a busca contínua do progresso moral como o mais nobre objetivo da humanidade.  Seus livros formarão, sempre, a melhor fonte para estudar a transformação dos deuses politeicos em anjos do Senhor.
POLITIQUE, II,352,353;  III,407;   POLITY, II,286;  III,344

 

burguesia

A emancipação das pessoas comuns, no fim da Idade Média, ou seja, o fim da servidão daqueles que não eram nobres nem clérigos, criou a burguesia moderna.  A burguesia venceu a luta contra a realeza e contra a nobreza, com habilidade, acabando com o feudalismo, criando o novo sistema social da modernidade.  Aliou-se à nobreza contra o rei na Inglaterra e inversamente no continente europeu, onde ligou-se à realeza contra a nobreza.
COMTE,1972: Opúsculos de Filosofia Social, 48

 

caráter  ou  coração

Funções cerebrais simples ou elementares de preparação mental antes da a ação:  seriam em três formas, a coragem, a prudência e a perseverança. Conação é o termo empregado na psicologia contemporânea.
POLITIQUE I,724;   COELHO,1980,69,87
Ver  cerebrais, funções

 

cerebrais, funções

A teoria das funções cerebrais estuda a estrutura e a fisiologia das funções de relação no animal, mantido o nome de funções da alma.  Alma não tem aí a acepção metafísica.
POLITIQUE, I,679;  COELHO, 1980,35
Ver  Tableau de l’Âme,  em anexo

 

cérebro

Conjunto de órgãos ou aparelho, sede das funções animais de relação. Pode ser definido como  “a dupla placenta entre o homem e a humanidade”, ligando o indivíduo  (1) ao passado e  (2) ao futuro, assim o transformando no   agente social   objetivo do presente, operando em completa liberdade.
POLITIQUE, I, 398,680;  LETTRES À DIVERS, 233,283
Ver cerebrais-funções

 

ciência

Notar a definição clara de ciência abstrata, que é   “um conjunto de leis ou relações imutáveis que regem o ser por seus acontecimentos ou fenômenos”. A base mesma do processamento desse modelo está subordinada à subjetividade, porque ele é construído  artificialmente  pelos humanos, por meio da  abstração.   Nesse emprego da abstração o homem social encontrou uma constância universal, intersubjetiva, no meio da variabilidade.    Por isso  Tales de Mileto  teria dito que seu teorema dos ângulos era imutável,  mesmo se os deuses não o quisessem.   E isso confirmamos hoje, depois de muitos séculos.
POLITIQUE, I,424;  CUPANI,1985,p.101,105

 

cívico

Relativo a pátria, o segundo grau importante do sentimento grupal ou do altruísmo, da sociabilidade, que se inicia no evolver afetivo com a associação doméstica, depois se torna cívica e mais tarde universal ou planetária, da raça humana. Essa é a lei da evolução dos sentimentos.
POLITIQUE,  IV,177

 

Clotilde de Vaux

Inspiradora de Augusto Comte, que afirma a participação importante dela na segunda parte de sua carreira filosófica, quando reconhece o pleno poder e o primado das emoções como função dominante no comportamento  humano e quando descobre a principal conceituação sociológica da religião como o eterno sistema coerente e completo de conhecimento, na necessária constante regência filosófica da gnosiologia humana, em todos os tempos e lugares. O filósofo, que procurava a verdade, encontrou, de fato, o amor, o sentimento social, ou, em outras palavras, o altruísmo.  Esse sentimento que  nem tinha nome  antes de Comte e de Clotilde.
POLITIQUE,   v.I, Prefácio,p.III
Ver   altruísmo

 

coesão social

É o resultado da convergência constante de comportamento na sociedade. Tem origem complexa, com base no sentimento do altruísmo. Será da maior importância para a felicidade pessoal e coletiva a capacidade de estimular a coesão, o que sempre se realizou por meio da religiosidade, sob formas diferentes, em todos os tempos e lugares, em plena liberdade.  Pode-se avaliar a implicação íntima da teoria sociológica e de sua aplicação na religião e na teoria da afetividade da psicologia conteanas.
POLITIQUE, I, 364
Ver altruísmo, continuidade, religião, solidariedade

 

comando

A separação entre o comando e a riqueza só se deu na história com a crise da modernidade, no fim da Idade Média.  Uma reorganização social acabaria esse divórcio anormal, pela reconstrução filosófica, sem violência .
APELO,155,166,193

 

conação ou caráter

Conação é termo contemporâneo, não empregado por Comte.
Ver  caráter

 

concepção

Função intelectual compreendendo a contemplação e a meditação, como se verifica na teoria da personalidade e na teoria cerebral.
POLITIQUE,  I,717
Ver cerebrais-funções; ver  Tableau de l’Âme,  anexo

 

concreto

O estudo do ser real é definido como concreto, de entes singulares,  apresentando um conjunto de acontecimentos ou fenômenos simultâneos e sucessivos.  As imagens externas fornecidas pelos sentidos e as imagens internas reconstruídas referentes aos seres são chamadas de “imagens concretas”.   Ao contrário, as imagens  referentes aos fenômenos ou acontecimentos separados do ser,  são “imagens abstratas”.
POLITIQUE, I, 424, IV,170
Ver abstração

 

conhecimento

Conjunto de registros concretos e abstratos sobre o mundo e sobre o humano,  para  sua  representação (ciência),   para  sua  idealização  (arte),  mais os que se destinam à ação prática (técnica).   Denomina-se aqui a gnosiologia como a teoria sistemática do conhecimento em todas as suas formas, na arte, na ciência e na praxis, como constituindo uma completa enciclopédia, de que a  epistemologia,  como teoria do saber científico, constitui apenas um capítulo.  A ciência é a escada, não é a morada. Lei dos 3 estados: cada ramo do conhecimento passa por 3 estados: teológico, metafísico e positivo.  Há 3 estados também para a afeição e para a técnica, na  praxis.
POLITIQUE, IV,247
Ver  afeição, gnosiologia, técnica.

 

consciência

É a mais nobre e mais eficiente das forças morais, decorrente da combinação dos sentimentos com a razão para corrigir a ação. Tomar consciência é a simbolização a posteriori do resultado desse processo, realizado a nível não consciente.  Como percepção das  sensações interiores  na pessoa, foi tida a consciência como manifestação da divindade ou de poderes ontológicos.  Rousseau a chamou de instinto divino, juiz infalível do bem e do mal, na forma de um ente metafísico.
POLITIQUE, IV,219,334;
COELHO,1980, 47,85; LINS,1965,221
Ver cerebrais, cérebro, conação,

 

contemplação

Função intelectual de percepção do mundo exterior, que pode ser contemplação concreta ou contemplação abstrata. A percepção do ser é concreta, isto é, em que seus atributos são considerados em conjunto, sinteticamente.   A contemplação abstrata separa os acontecimentos ou fenômenos de sua sede nos seres, tomados subjetivamente à parte.
POLITIQUE I,717
Ver abstração

 

continuidade

É a principal e exclusiva característica do ser humano, a convergência dos esforços de gerações sucessivas, com o culto dos antepassados.  É a cooperação sucessiva, ao passo que a solidariedade é a cooperação inter-vivos, simultânea.  A continuidade não existe ou não é por nós percebida entre os membros das espécies animais.
POLITIQUE, I,364
Ver  sociedade, solidariedade

 

coração

Órgão de acionamento na circulação do sangue. Era tida como a sede dos sentimentos, hoje comprovadamente localizados no cérebro. A palavra é mantida em uso por Comte, para indicar a afetividade. “Felizmente ambígua”, significa ternura para a mulher, e coragem para o homem.
POLITIQUE,108,266,684
Ver ambigüidade

 

crise da modernidade

É a situação revolucionária que se apresenta na sociedade ocidental com o fim da civilização medieval.   É a doença ocidental, uma alienação que conduz o conjunto da população a uma revolta contra o passado humano, incoerentemente sonhando com um futuro melhor.  A crise é de caráter filosófico, portanto  sua solução deve ser filosófica. E não apenas material, política.
POLITIQUE, II, 458;  III, 583

 

culto

Veneração prestada a fetiches e a deuses, resultando na espontânea educação afetiva dos crentes.  A instituição sincera desse tributo corresponde à subordinação do ser humano a um poder superior, que, aceito pela comunidade, resulta na criação de uma classe votada à coordenação das opiniões comuns, ou seja da filosofia em cada época, constituindo o sacerdócio.  O culto é a mais importante parte da teoria do conhecimento, da gnosiologia, completamente ignorada por pensadores contemporâneos, que assim abandonam o aspecto mais nobre, mais forte e mais importante da existência humana, o sentimento. Sem reconhecer o sentimento, só o totalitarismo parece ser a solução para a crise da modernidade, com o sacrifício das liberdades humanas.  A arte, ao idealizar a realidade, tornou-se sempre na evolução histórica a grande contribuição para a efetividade no culto e para a popularização da filosofia, conduzindo ao consenso e à harmonia pessoal e grupal.
POLITIQUE, I,274,403 
Ver   arte, estética, utopia

 

dedução

Função intelectual realizada pela meditação dedutiva, subjetivamente tirando dos elementos induzidos os conceitos correspondentes. É impossível deduzir sem previamente induzir.  Em matemática as induções são muito simples, mas as deduções que a caracterizam só podem ser feitas a partir dos dados muito simples obtidos por indução. Não seria, então, puramente axiomática.
POLITIQUE, I,719
Ver indução

 

deísmo

A descrença nas doutrinas dos deuses leva a tirar-lhes o caráter antropomórfico, criando uma causalidade ontológica vaga, imprecisa, como no panteísmo ou no ateísmo.  Mas persiste a pesquisa das vontades arbitrárias como causas primeiras, sob falso aspecto impessoal científico, permanecendo o estudo prisioneiro às mesmas questões absolutas do teísmo.
POLITIQUE, III,533

 

democracia

A escolha dos superiores pelos inferiores é questionável, quando tomada como forma absoluta e dotada de infalibilidade da escolha política, na  democracia pura, onde “a voz do Povo é a  voz de Deus”.   Comte recomenda o uso cauteloso do processo eleitoral, rejeitando-o como panacéia política , por isso dizendo-se ser um  “não democrata”.  No questionamento do voto veja-se  “paradoxo de Condorcet” e  “teorema de Arrow”.  Democracia, hoje, pode ter o significado de governo com liberdade e justiça, com a mínima intervenção no mercado, com a sucessão política e econômica não hereditária.  Comte, tal como um  democrata  de nossos dias, recomenda  eleições  para uma assembléia orçamentária representativa.
POLITY, IV,395; ARROW,1970; HEAP,1992

“O termo Democracia, deve ser eliminado, como vago, impróprio e subversivo”.

destino

Definido como o conjunto das leis conhecidas. Seria diferente do conceito de “azar”, o aleatório, das leis desconhecidas.
POLITIQUE, IV, 191;   CATECISMO, p.3

 

determinismo

As leis científicas abstratas determinam relações fixas imutáveis: --- no entanto, quanto mais complexos os fenômenos, mais modificáveis se tornam.  As alterações se dão na intensidade das variáveis, e as leis indicam a forma de modificação a adotar.    O conhecimento das leis   liberta,  porque a ciência nos assegura o êxito, diz Aristóteles:  a ignorância nos leva ao azar, ao aleatório.   Nesse sentido, o determinismo é libertador.
POLITIQUE, I,713

 

deuses

Somente após longa vivência os povos primitivos se tornaram capazes de fazer abstração e de generalizar, isto é, de reconhecer os  atributos do ser em separado do  ser.   Jean Piaget provou experimentalmente o mesmo com as crianças.  Só tardiamente, portanto, puderam as populações humanas formar a idéia abstrata de deuses capazes de explicar o mundo e o humano. Os humanos foram espontaneamente tutelados durante muitos milênios por esses seres maravilhosos, tanto concretos, como os fetiches, como abstratos, capazes de reuni-los mais tarde em grandes civilizações, conduzindo-os na extensa carreira da evolução social, em crescente liberdade, mesmo na mais primitiva selvageria.  Mas a ruptura da civilização medieval conduz o ocidente em nossos dias a uma crise decorrente da decadência do poder filosófico.  Para que uma filosofia se torne um sistema, é necessário um centro referencial que lhe dê coesão, um ser supremo,  um  deus.  Na modernidade tudo é referido ao humano, mas ao humano em sociedade.  A sociedade seria, para Augusto Comte, o novo ente supremo,  le nouveau dieu.
COURS, I,4  POLITIQUE, I,329,342

 

dever

O reconhecimento do enorme poder do organismo social sobre os humanos explica o dever dos indivíduos para com a sociedade que os gera, educa e protege sob sucessivas gerações.  O indivíduo isolado da sociedade não existe, é uma abstração: --- esse agente social, o indivíduo, deve  tudo de seu ser ao grande ente social, a humanidade.   Essa é a fonte imperiosa e demonstrável do dever e da felicidade no sentimento social, no altruísmo.
POLITIQUE IV,324.
Ver sociedade

 

dinâmico

O estudo através do tempo, em  sucessão, em diacronia, se diferencia do estudo estático, em equilíbrio, de estrutura, simultâneo, de semelhança  na sincronia.
POLITIQUE, I, 487,495

 

direito

As garantias individuais das normas de direito resultam da reciprocidade de  deveres  na sociedade;  cada um tem obrigações para com todos. A liberdade é um direito indispensável à vida em sociedade, em todos os tempos e lugares, com a independência individual e o concurso voluntário.   Essa é uma original  teoria da liberdade humana  de Comte.
POLITIQUE, I,361

 

ditadura

Nome que hoje designa sempre tirania, regime político sem liberdades.  O termo foi usado por Comte para significar um presidencialismo democrático , não parlamentar, não hereditário, com as mais amplas liberdades.  É a palavra que causa os mais lamentáveis enganos a leitores desatentos.  Apóstolo da liberdade, Augusto Comte jamais propôs um regime tirânico, totalitário.
POLITIQUE, IV,342
Ver presidencialismo

 

dogma

É o conteúdo de um conceito, diferente de seu estudo histórico, em seu desenvolvimento dinâmico ou diacrônico. Não implica sempre em dogma absoluto, imutável, constantemente notado em noções filosóficas da antigüidade.  O absolutismo do dogma é uma de suas formas. Os “dogmas” modernos são relativos, perfectíveis, demonstráveis, próprios para debate.
COURS, I,77

 

ecumênico

A aliança de todas as religiões é recomendada por Comte, numa liga ecumênica ampla, não apenas cristã, evitando a disputa entre instituições que devem  unir os humanos,  por meios diversos, e não separá-los.   As formas diferem, mas o objetivo e o resultado é o mesmo.
APPEL,74

 

egoísmo

Sentimento que leva o animal a agir em favor de si próprio, como no caso da auto-preservação.  Antônimo perfeito de altruísmo.
POLITIQUE, I, 69,91
Ver altruísmo

 

emancipação teológica

Libertação relativa a conceitos teístas e ontológico-metafísicos, para explicação filosófica.  Sem uma completa emancipação quanto a preconceitos absolutos, torna-se impossível o estudo equilibrado dos diversos sistemas religiosos e, portanto, da filosofia na modernidade.
POLITIQUE, I,46
Ver gnosiologia

 

empírico

Comte dá o significado de empírico como “não filosófico”, a estudos em que as relações mais gerais do saber, filosóficas, são ignoradas, com excesso de objetivismo. A observação empírica é realizada, mas seus resultados não são processados subjetivamente, com passividade do observador, incapaz de estabelecer relações entre os dados obtidos, descobrindo leis e princípios mais gerais, num factualismo rústico. É o vício oposto ao excesso de subjetivismo, no misticismo.  O empirismo tende para a idiotia, ao passo que o misticismo tende para a loucura.
POLITIQUE, II, 166;  III, 24
Ver idiotia, loucura

 

enciclopedistas

Colaboradores da Enciclopédia de Diderot e d’Alambert, formando uma escola filosófica emancipada de superstição para construção doutrinária em bases firmes da verificabilidade. Pertencem ao “Erklärung”, ao século das luzes, ao iluminismo.
Ver ceticismo

 

entendimento

É o conjunto das funções intelectuais, ou da razão:  orientam a decisão do animal em sua vida de relação, estabelecendo com o trabalho mental complexo, a coordenação entre a sensibilidade e a contractilidade.
Ver  espírito, razão

 

escolástica

Introduziu a filosofia metafísica aristotélica naturalista entre os teólogos católicos.  Contribuiu para o estudo das ciências naturais, para a queda da feudalidade e para o advento da modernidade.
COURS  V,555; VI,294;   POLITIQUE, III,411

 

espírito

Significa o conjunto das funções cerebrais da inteligência:  o espírito é o ministro do coração, a quem serve.  A palavra perde o sentido ontológico e mítico, sendo objeto de pesquisa empírica de rigor na psicologia moderna.
POLITIQUE I,714

 

espiritual,  poder

É o governo das opiniões, pelo prestígio filosófico, em liberdade.  Existe em todas as sociedades, ficando na antigüidade sempre unido ao poder político, temporal.  Na Idade Média o catolicismo, pela primeira vez na história, separou o governo espiritual do poder temporal, por ficar o poder material então dividido em cada feudo.  A ditadura e a tirania não podem substituir a filosofia no governo da opinião sob plena liberdade.
POLITIQUE, IV, apêndice,176
Ver  temporal, poder

 

espiritualismo

É o vício filosófico de subordinar os fenômenos mais simples aos mais complexos, supondo que os santos homens possam vencer a lei da gravidade, ou possam restituir a vida aos mortos.  É o inverso do vício do materialismo, que reduz os acontecimentos mais nobres aos mais simples, o social e psicológico ao econômico, a vida ao mecanicismo.
POLITIQUE I,439

 

Estado

É o governo coordenador das necessidades materiais da sociedade e não constitui por si só a própria sociedade. Questiona-se porque o mando está separado da riqueza  na modernidade, desde quando isso ocorreu e quais as causas dessa ruptura. E se será melhor colocar nas mesmas mãos o mando e a riqueza, em união harmônica e saber como consegui-lo mantendo a liberdade e as condições dignas para o trabalhador.  Esse governo material deve assegurar as liberdades públicas, ao ser mantido afastado do controle da opinião pública.
POLITIQUE, IV, 65
Ver   patriciado

 

estética

É a teoria da arte, domínio da filosofia concebido como o emprego intelectual da comunicação para  embelezar idealmente  o  ser, ao passo que a ciência se propõe a  representá-lo  com aproximação relativa.  Na crise da modernidade, na ausência de coerência doutrinária, perdido o centro sistêmico, perdido o ser supremo, torna-se impossível definir o destino da estética: torna-se...   “a arte pela arte”.
Ver arte, utopia

 

estrutura

A consideração estática,  abstraindo a variável tempo, permite o estudo simplificado do arranjo, da ordem, da anatomia , permitindo o descobrir as relações de semelhança, em sincronia. O estruturalismo moderno apresenta-se incapaz de reconhecer o processo dinâmico, tido como ininteligível, apresentando apenas descrições estáticas, tanto em lingüística como em antropologia, conforme Boudon e Bourricaud. Isso poderá ser notado em Saussure, em Lévy-Strauss e em Foucault.  Muito antes de Saussure, Comte havia estabelecido clara e nitidamente em generalidade, o conceito de estático e de dinâmico, ou isocronia e diacronia. Que corresponde a ordem e progresso.
Boudon,1993: verbete estruturalismo
Ver ordem, progresso

 

evolução

O aperfeiçoamento pela evolução pressupõe a imperfeição, comprovando o caráter relativo e mutante do conhecimento, já que as noções absolutas seriam perfeitas e eternas, fechadas à mudança.  É importante notar que a evolução da raça humana é reproduzida em curto prazo pela evolução de cada criança, passando do andar quadrúpede para o andar ereto, da  animalidade muda e iletrada para o humano civilizado.   Essa é a demonstração, repetida cada dia, da dependência e do débito do indivíduo em relação à sociedade.  O indivíduo isolado não seria por nós reconhecido como humano.   E essa evolução incessante prova que  a  mutação é a norma na doutrina definitiva do conhecimento moderno, na  nova filosofia do saber positivo: a lei definitiva é a mutação.
POLITIQUE, II, 429
Ver   humano, imutabilidade, sociedade

 

experiência

O emprego da experimentação constitui o método preponderante no estudo dos fenômenos da física, berço natural do espírito indutivo.  Não há oposição entre a experiência e a razão:  a razão emprega a experiência e a imaginação para a produção do conhecimento.
POLITIQUE I, 519

 

explicação

As causas primeiras e finais dariam a explicação para as mais importantes questões humanas, por meio de vontades arbitrárias, absolutas.  As leis abstratas das ciências são incompatíveis com as vontades absolutas, por fornecerem explicações por meio de relações conhecidas, verificáveis, reproduzíveis, universais ou intersubjetivas. Relações entre os acontecimentos, entre os fenômenos.
POLITIQUE I,47

 

Confiança em  hipóteses apresentadas ou imaginadas, a fé é sempre necessária para preparação do plano de estudo ou de ação, precedendo, dessa forma, em cada um de nossos atos, o conhecimento seguro, verificável.  Nem sempre, no tempo e no espaço, é possível e desejável verificar com antecedência ou rapidez as suposições feitas.  Por isso é certo que  “a razão deve seguir a fé, não precedê-la, nem infringi-la”, como disse Tomás de Kempis, na Imitação de Cristo.  A fé é uma hipótese, comportando-se conforme a lei-mater de filosofia primeira.
SÍNTESE, epígrafe, p. III;   KEMPIS,1948,livro IV, cap.XVIII
Ver  filosofia primeira, hipótese

 

felicidade

Se os humanos são espontaneamente altruístas, dotados por natureza de sentimentos associativos, a satisfação desse afeto leva à felicidade. Notar que o exercício de qualquer das funções animais conduz ao prazer.  O predomínio do egoísmo exclui outros sentimentos, levando ao conflito --- mas os instintos sociais, altruístas, não são excludentes---  constituem-se no dever e na felicidade na vida social.
POLITIQUE, I,700; IV,324

 

fenômeno

É o acontecimento, o que  aparece  no ser, estudado com abstração de sua fonte, considerado no modelo subjetivo, ideal, imaginário, não concreto.  A ciência pura se constitui de leis abstratas sobre os fenômenos, em generalidade, leis impossíveis de conhecer devido à complexidade do ser concreto.
COURS, I,70

 

fetichismo

É historicamente a primeira maneira de filosofar, de explicar o mundo e o humano, constituindo a forma mais simples de religião, em sua gnosiologia da concretude, com uma causalidade direta, sem as vontades mediadoras, de deuses ou de entes causais.
POLITIQUE, III,78
Ver deuses, gnosiologia

 

filosofia

Cada sistema religioso tem uma doutrina intelectual básica: -  é a sua filosofia, encontrada nas mais primitivas populações, muito antes dos gregos, desde épocas imemoriais, desde que os humanos  começaram a pensar e a descobrir conceitos gerais rudimentares constantes.   A filosofia na Grécia antiga se apresenta em destaque, por estar libertada do corpo sacerdotal da teocracia, onde o sistema intelectual se tornava anônimo, fechado na casta religiosa que dominava os guerreiros. Essa libertação ocorreu porque o politeísmo grego resultou do predomínio militar sobre o sacerdócio teocrático.    Filosofia é a explicação do mundo e do humano, encontrada sob muitas formas, desde as mais primitivas populações.  Inclui a busca de princípios gerais, capazes de dar unidade ao saber, necessária para estabelecer o consenso, para a coerência do indivíduo e do grupo: ---é a razão por que a generalização em forma de sistema sempre foi preocupação dos filósofos.  Sem a unidade mental não existiria coordenação grupal.
COURS,2-481;  MARTINEAU,  II,414
Ver gnosiologia

 

filosofia primeira

Conjunto de princípios fundantes gerais propostos como válidos em todo o saber, formando uma base epistemológica clara e distinta.  Consiste em 15 leis gerais do conhecimento.
POLITIQUE, IV,173

 

filosofia segunda

É o conjunto das ciências abstratas ou puras, em sete degraus:  matemática, astronomia, física, química, biologia, sociologia e psicologia. Esse embasamento deve ter grande simplificação de conteúdo, por não incluir a aplicação desses conceitos abstratos, consistindo, portanto, em notável construção didática, completa, mas em configuração mínima.   Não pressupõe interdição  à especialização científica, nem à sua aplicação na praxis :   mas o estudo puramente abstrato pode ser feito em caráter enciclopédico, com um único professor, desde que sejam inicial e provisoriamente abstraídos os pormenores da concretude.
POLITIQUE, IV,245

 

filosofia terceira   

Consiste na enciclopédia prática, abrangendo a aplicação do saber abstrato às várias especializações concretas. A mais importante e complexa é a educação, uma das artes psicológicas, seguida da política, uma das artes sociológicas.
POLITIQUE, IV,247
Ver o quadro dos conhecimentos, da gnosiologia, em anexo

 

filósofo

É o agente humano responsável pelo governo em liberdade da opinião ou do conselho, em geral obtendo por isso o poder de consagração social, como visto sempre na evolução das diferentes religiões do passado, sem violência.
APELO,132

 

física

Estudo da natureza. A física newtoniana parece continuar comprovada e aplicada.   Diz Comte que  “a lei de Newton não vale para toda distância, nem a lei de Mariotte para toda pressão”.  A imutabilidade das leis é relativa, contingenciada, pelas condições prévias estabelecidas na experimentação, e não uma revelação dogmática absoluta.
POLITIQUE, II, 32, 33 

 

física moderna

Em debate a derrubada da física clássica e de toda ciência pela teoria da relatividade e da física quântica.  Sem a causalidade científica, a gnosiologia conteanas perderia validade.  Na opinião de Bunge a mecânica quântica pode ter decepcionado aqueles que pensaram descobrir ali a indeterminação, levando-os a um possível engano e confusão, conforme a interpretação de Broglie-Bohm mantendo a determinação das trajetórias das partículas em escala atômica.
FRANK,1953, 212;  BUNGE,1965, 36l, 364

 

física social

Expressão inicialmente usada por Comte para o estudo em abstrato das relações sociais.   Esse nome composto jamais indicou que o filósofo então proporia a mecanização materialista da ciência social;  pelo contrário, uma nova metodologia com rigor científico seria empregada, agora não mais de caráter analítico, mas de feição sintética, o método subjetivo, partindo do todo para as partes, com base numa filosofia da história verificável.
COURS,   IV,252;  COMTE,1972,133
Ver  método subjetivo, sociedade, sociologia

 

futuro

O estudo dinâmico da sociedade por meio da filosofia da história poderia dar,  no plano abstrato,  uma antevisão aproximada do porvir, com base no passado, para estabelecer a ação no presente.  Dessa forma poder-se-ia pensar em leis históricas.
POLITIQUE, III,p. 1;  BUNGE,1965,p.282

 

gnosiologia

Teoria de todo o conhecimento em geral, elaborada em forma de sistema, ou síntese filosófica em torno de uma causa final, para a explicação do mundo exterior e do humano, para a compreensão e ação no domínio dos sentimentos, da razão e da praxis, ou seja na arte, na filosofia e na técnica.  Notar que historicamente cada civilização, em seu tempo e lugar, apresenta o seu sistema gnosiológico, sinônimo de religião, ou de sistema de educação, contendo as suas próprias verdades, relativas à situação, numa síntese coerente necessária para dar coesão social à vida do agrupamento, em convergência, com liberdade e independência individual.  Esse é o importante caráter  orgânico  de uma doutrina.  O grande sistema de filosofia em cada época e em cada lugar é condição necessária para a organização social, em que cada pessoa cumpre com independência e prazer seu concurso, sua função no grupo.  A ruptura do sistema feudal no século XIV desencadeou a crise da modernidade, ao divergir a razão da fé, vale dizer ao cindir a filosofia da religião.  A ruptura do sistema tende a destruir a unidade ou a convergência do grupo social, sendo, portanto, uma situação anômala, provisória, na longa vivência histórica da raça..  Há falta, então do telos para a coordenação da atividade individual e grupal, sempre cada vez mais especializada, independente, espontânea e incoerente.  É impossível colocar a ditadura ou tirania no lugar da gnosiologia, o domínio privilegiado do filósofo e da liberdade.
POLITIQUE, II,p.7 e seguintes
Ver religião; ver o quadro sintético das concepções, em anexo.

 

governo

Historicamente verifica-se que não há sociedade sem governo, em suas duas formas: o governo espiritual, de  opiniões,  de consciência e o governo temporal, que regula a  ação  dos humanos.
POLITIQUE, II, 194, 315
Ver espiritual, temporal

 

habilidade 

É impossível transmitir a habilidade sem a experiência sensível própria na participação individual:  -  não se pode aprender a nadar por ouvir um discurso sobre a arte da natação. É a regra do aprender a fazer, fazendo, pelo método direto.  Não se aprenderia a pensar senão pelo  exercício de pensar, o que nos permite uma crítica dos tratados de lógica, sem que sejam eles decerto, inúteis.   Por isso  o método é inseparável da doutrina.  O exercício completo da habilidade indutiva e dedutiva deve ser feito por meio do estudo da escala científica abstrata completa, onde se encontram as várias formas dos métodos lógicos conhecidos.   Daí a regra de que será necessário saber matemática para pesquisar sociologia e psicologia.  E, também, certamente, para fazer filosofia, que seria, então, uma habilidade muito pessoal e muito complexa .
POLITIQUE, IV, 183
Ver  método

 

heresias

São impossíveis no politeísmo, mas sempre presentes nas religiões do monoteísmo.  São Paulo diz que é bom que haja heresias.  Brunetière pensava utilizar as heresias conteanas para revitalizar o catolicismo.
COURS, V,536;   S.PAULO, I Coríntios, 11,19
BRUNETIÈRE,1905,p.XX

 

hipótese

Na epistemologia de Comte todo o saber é uma hipótese, que, por aproximação, atende às condições da questão colocada.  Por isso o conhecimento se relaciona, é relativo, contingenciado.    A verdade, pois, é definitivamente mutável, em razão da constante mudança dos dados conhecidos.   Essa a filosofia proposta: -  o saber definitivo no estado positivo é o reconhecer a mudança permanente.   Porque perfectibilidade é indicativo de imperfeição, implicada na possibilidade de evolução.  Esse é o fundamento do saber humano, na modéstia da relatividade agnóstica.
POLITIQUE, I,682, IV,173 
Ver   filosofia primeira

 

história

Pela pesquisa da evolução humana propôs Comte uma filosofia da história verificável, base de sua sociologia, construída sobre a identificação das funções sociais e dos órgãos correspondentes.  Dos materiais registrados nos anais da história é que seria possível ler o grande romance da evolução da raça humana, para descobrir suas relações sociais e identificar  o mais real dos seres: --- a sociedade, que cria seus ídolos e seus deuses, de quem o indivíduo é o importante agente independente e em liberdade, formando os indispensáveis elos no tempo presente, e capaz de unir o passado ao futuro.  A pesquisa das leis históricas é fundamental para o embasamento de uma sociologia científica, infalível no plano abstrato, reconhecidas as mais importantes relações entre as instituições e órgãos sociais. As tendências e sua conceituação têm valor normativo sério e certo, podendo determinar o sucesso ou o fracasso no estudo histórico e na aplicação política efetiva.  Como no erro político grosseiro de tentar a eliminação do capital, da família, do mercado ou da moeda.
POLITIQUE  III,p.1;   BUNGE,1965,p.282
Ver afeição, conhecimento, técnica, para suas respectivas evoluções na Lei dos 3 estados generalizada.

 

Hobbes

Justamente o precursor do liberalismo, é colocado indevidamente como filósofo do autoritarismo por motivo de suas críticas contundentes às doutrinas da medievalidade, de que foi importante agente demolidor, função a que Espinosa e Bayle são associados.
COURS, VI,315;    POLITIQUE  III,583,589

 

humano

Animal  superior, hegemônico, suposto orgulhosa e falsamente como o único dotado de inteligência na série viva.  É a única raça que evoluiu pelo acúmulo do saber e da habilidade, progresso só explicado pela veneração aos antepassados. Essa seria a característica exclusivamente humana,  já que os demais animais falam, pensam, contam até 3 e  planejam.  Mas apresentam evolução de seus atributos apenas no indivíduo durante a vida, chegando a uma solidariedade social.  Mas não passam essa aprendizagem às gerações sucessivas, por falta de veneração pelos antepassados, que leva à continuidade, à convergência ao longo do tempo, com a fixação e com o aperfeiçoamento do saber.
LEROY,1896,105,123,127,208
Ver   continuidade

 

humanidade

A palavra tem uma feliz ambigüidade --- “équivoque”, --- designando a maior extensão do afeto e também a raça animal onde ele melhor se desenvolve.  Esse ente coletivo forma e dirige em liberdade cada indivíduo, elevando-o da mais bárbara condição de animalidade até o notável estágio de progresso da modernidade.  Inicialmente quadrúpede, sem fala e iletrado, por evolução em sociedade, lentamente, o indivíduo humano, somente em nossos dias, consegue ver, com modéstia, a imensidão do progresso percorrido.  E somente agora pode reconhecer com serenidade os perigos enormes a que está sujeito, pode verificar como está subordinado a numerosas contingências externas e internas e do quão pequena é a sua vida, sua ciência e sua filosofia.  Além de ser capaz, ainda, apenas, de um modesto saber relativo, contingenciado, em mutação, altamente perecível.  O ser social é o único real:  ele é o centro empiricamente verificável de toda a vida humana, em todos os tempos, embora só tardiamente identificado pela ciência social.   Seria, então, a nova causa final.  Seria o Nouveau Dieu, a quem todos os outros deuses serviram e servem, para quem os humanos sempre trabalharam, filosofaram e amaram, como o destino permanente da vida social.  E tornar-se-ia, então,  o telos consciente, agora descoberto na filosofia da nova civilização a suceder a filosofia da medievalidade.
POLITIQUE,  I,703;  MALSON,1967
Ver   indivíduo, sociedade, vontade

 

idiotia

Predomínio das imagens exteriores da percepção sensorial sobre as imagens interiores, sob a passividade da concepção.  É o vício inverso à loucura, em que predominam as imagens interiores.
POLITIQUE,  III,24

 

igualdade

Na organização social, com a especialização, tornam-se cada vez mais diferenciados os agentes individuais, tornando-se, logo, pessoas desiguais.  Na crise moderna, a busca necessária de dignidade para a condição do trabalhador não deve ser confundida com o ideal impossível de nivelamento.  A dignidade, as condições de vida, de conforto, devem oferecer um mínimo admissível, para todos os trabalhadores.  Mas as funções serão forçosamente diferentes.  Os privilégios devem acabar, mas as tarefas e os agentes deverão atender a missões específicas, estabelecidas em liberdade com diferenciação crescente, estimulada e suscitada a multiplicidade, a livre concorrência  e a desigualdade, em benefício do grupo social.
POLITIQUE,  II,74
Ver patriciado

 

imagem

A mente percebe imagens exteriores, através dos sentidos e reproduz essas imagens voluntariamente, modificadas, internamente, em seu aparelho cerebral.  O equilíbrio entre essas imagens exige que as sensações exteriores sejam mais nítidas do que as reproduzidas internamente, para que o indivíduo perceba a diferença.  Se houver pouca atividade cerebral, as imagens externas prevalecem, formando um estado passivo da mente, tendendo ao estado de idiotia.  Se, pelo contrário, as imagens interiores se exacerbam, e as imagens externas se empalidecem, forma-se a tendência à 

loucura.
POLITIQUE,  IV,176
Ver  idiotia, loucura

 

imutabilidade

Pode-se comprovar uma certa imutabilidade relacional aproximada entre os acontecimentos, na forma de leis ou razões imutáveis percebidas em teoria, a nível de abstração, entre os fenômenos, tomadas em separado do ser.  Portanto, as leis abstratas regem o ser por seus fenômenos ou acontecimentos.  Embora as relações sejam imutáveis, a modificação dos fenômenos e dos seres é efetuada na intensidade das variáveis, sendo os seres e os fenômenos mais complexos aqueles mais modificáveis.   Mas essa imutabilidade é apenas relacional e perfectível, apenas aproximada, nada tendo de absoluto.
POLITIQUE,  II,429;  IV,174
Ver lei

 

inato

Verifica-se em psicologia que a estrutura do entendimento é inata, como anterior à experiência, ao passo que o produto do trabalho mental é elaborado sempre apenas com informações elementares adquiridas, isto é, que entram pelos sentidos, a posteriori da experiência.  Mas o resultado não é puramente composto dos necessários dados sensíveis, resultando do processamento desses elementos pelo aparelho cerebral.
POLITIQUE,  IV176

 

incognoscível

Os conceitos inverificáveis não podem ser confirmados nem negados.  Eles fogem ao teste da dúvida sistemática, e não podem ser conhecidos com segurança: --- assim são os mitos, indispensáveis às populações primitivas e mesmo em nossos dias, dependendo das necessidades lógicas e gosto pessoal.  A explicação filosófica pela causalidade mítica é feita por meio da vontade arbitrária dos fetiches, dos entes ou dos deuses e é conflitante com a causalidade e com a explicação fornecida pelas relações científicas ou leis fixas abstratas, comprovadas, de valor universal, intersubjetiva, embora aproximada.
POLITIQUE,  IV,174

 

indeterminação

É a impossibilidade da causalidade científica suposta por Heisenberg na física sub-atômica.
BUNGE,1965,p.360
Ver física, física moderna

 

indivíduo

Isolado da sociedade o indivíduo não existe, é uma abstração. Porque fora da sociedade o indivíduo morre. Porque a pessoa humana recebe o produto de uma longa evolução social multissecular, por meio de uma formação educativa, desenvolvida e transmitida pelos órgãos sociais, antes pela família, depois na escola e na vida profissional.   Mas a atividade efetiva no presente é sempre realizada individualmente pelo agente em pessoa, sob as condições de necessidade do ente social, em suas formas associativas, na família, nos grupos de trabalho, no âmbito cívico, no plano internacional, cada vez mais em condição de independência e de plena liberdade. A sociedade não se compõe de indivíduos, mas de unidades grupais, a menor delas sendo a família, a célula social.   O cérebro do indivíduo opera como se fosse uma dupla placenta espiritual ligando e regulando o ser humano ao passado e ao futuro.
POLITIQUE, I, 398,703
Ver  cérebro,  humanidade

 

indução

O espírito filosófico moderno é mais caracterizado pela indução do que pela dedução, com a subordinação do raciocínio à observação, mas sem redução do pensar à pura indução. Só por meio da indução sensível é possível a criação do saber.  No campo mais simples da matemática, as observações  são tão fáceis que parecem não existir, como se esse saber fosse pura e arbitrariamente axiomático.  Em cada ciência a indução é feita predominantemente por métodos específicos não exclusivos.
POLITIQUE,  I,517
Ver dedução, método

 

inteligência

É a aptidão que permite ao animal modificar sua conduta de acordo com as circunstâncias, em cada ocasião.  O uso da razão deve fazê-la o ministro do sentimento, não o seu escravo, nem seu senhor. Constitui das mais fracas funções dos humanos.
COURS,   III,784;   POLITIQUE,  I,680,714

 

introspecção

Observação simultânea  pelo sujeito de seu próprio trabalho mental, de realização impossível. O método subjetivo proposto por Comte não corresponde à introspecção.
POLITIQUE,   IV,Appendice,218;  CUPANI,1985,p.99,100
Ver indução, cérebro, cerebrais

 

intuição

Percepção extra-sensorial, não verificável.  A intuição sensorial, empírica, é a indução.  Comte não emprega essa palavra que, por vezes, é empregada em nossos dias como indução.
POLITIQUE, IV, 176
Ver  inato

 

lei

A lei científica abstrata é a permanência dentro da variação dos acontecimentos ou fenômenos no ser.  Relação constante aproximada entre fenômenos,  infalível, imutável, mas somente no modelo subjetivo da abstração. O conjunto das leis abstratas constitui a causalidade moderna, relativa, dando o “porque” relativado dos eventos, como causas de segundo grau, já que as causas primeiras absolutas fogem à verificação empírica.  As leis abstratas também levam ao conhecimento de uma   causalidade final,   teleológica,  na sociologia:   só o social é real.   Um novo sistema filosófico pode ser construído em bases demonstráveis não absolutas, em torno dos fins sociais dotados de atributo imperativo.
POLITIQUE,  II,41
Ver afeição, conhecimento, técnica, para a evolução na Lei dos 3 estados.

 

liberdade

Verifica-se ao longo da história que os humanos evoluem em condição de crescente liberdade, dentro da comunidade grupal de sentimento e de pensamento em cada sistema religioso sucessivo.  Na revolução da modernidade admite-se que só em liberdade poderá ser elaborada e popularizada uma filosofia em novos moldes, capaz de recriar o consenso e a unidade harmônica das épocas de plena religiosidade.  O sistema filosófico comtiano é uma grande teoria geral da liberdade.
POLITIQUE,  I,342
Ver espiritual, poder, religião

 

linguagem

Função básica elementar da inteligência, exercida por órgão cerebral específico, estabelecendo a comunicação entre os animais, com maior desenvolvimento entre os humanos.  Na estrutura da sociedade constitui-se numa instituição importante, estudada ao lado da família e da propriedade.
POLITIQUE,  I,635;  II,216
Ver o quadro sinótico da sociologia, anexo

 

lógica

O melhor exercício lógico na arte do método dedutivo deve ser feito no estudo da matemática, ciência por isso chamada de “lógica” por Comte.  Para aprender a pensar ou, o que é o mesmo, a filosofar, será necessário exercitar o pensamento nos diversos métodos lógicos de cada ramo do saber.
POLITIQUE,  I, 447
Ver habilidade,indução, método

 

loucura

Desequilíbrio em que as imagens interiores produzidas pelo cérebro são mais nítidas e fortes do que as imagens exteriores recebidas pelos sentidos, provocando a alucinação.   Essa teoria foi explicada por Comte para demonstrar sua própria recuperação após a violenta crise nervosa que sofreu ao iniciar a redação do Cours de Philosophie Positive em 1826.
POLITIQUE,   III,24

 

luta de classes

A evolução social persistente ao longo da história é um relato da cooperação contínua e de progresso, como resultante geral, notadas oscilações secundárias.  Muitas ocasiões de conflito ocorrem entre as classes dominantes, cujo equilíbrio é dificilmente mantido. O estudo do surgimento das castas e das classes é mais importante do que o seu antagonismo.
PAULA-LOPES,1989,328

 

magia

Nome dado à crença nos fetiches, ao fetichismo, em que os seres concretos todos seriam vivos, dotados de atributos antropomórficos.  No fetichismo não há abstrações, nem deuses, nem almas.
POLITIQUE,   III,115;   LEVY-STRAUSS,1970,254
Ver abstração, fetichismo

 

materialismo

É a redução de fenômenos complexos a outros mais simples, como ao explicar como puro movimento mecânico o complexo fenômeno da vida.
POLITIQUE,   I,439

 

meditação

É a função cerebral que realiza as combinações dos materiais obtidos pela percepção sensorial.
POLITIQUE  I,717
Ver  concepção,  ver  Tableau de l’Âme anexo

 

memória

Capacidade de refazer as sensações percebidas para reconstruir internamente situações passadas.  Resulta do concurso de todas as funções da razão, sendo, portanto um atributo complexo, e não uma função simples, elementar.
POLITIQUE,   I,711;  AUDIFFRENT,1869,136

 

metafísica

É definida como doutrina de explicação causal por meio de entes de aparência científica, em substituição aos poderes da causalidade divina, sem a sua personalização antropomórfica, como nas entidades da alma, do éter, da natureza, da energia cósmica, da consciência.  A causalidade assim se torna uma contradição em termos, por ser uma explicação cega, impessoal, --- uma explicação não explicada.  Essa ontologia ora tem feição mais científica, ora mais mítica, como necessário.  Faz, assim, a transição sem choques para a causalidade científica. Mas o feitio não verificável desse conhecimento tem o grave defeito de impedir a previsão certa e confiável necessária para dirigir a ação prática e também para as necessidades lógicas da coerência do saber moderno. É o saber que promete a felicidade mais não pode realizá-la.
COURS,  I,4;  POLITIQUE,  III,38

 

método

No conhecimento estão implicados o método ou caminho e a doutrina ou conteúdo, que são inseparáveis.  O método científico toma formas diversas, não mutuamente excludentes, na indução necessária a toda e a cada categoria fenomênica.   O método dedutivo prevalece em matemática, a observação em astronomia, a experimentação em física, a nomenclatura em química, a comparação em biologia, a filiação histórica em sociologia e o método subjetivo em psicologia. Só se aprendem os métodos ao empregá-los pessoalmente no exercício do pensar ou filosofar.  O comentário não é filosofia.
POLITIQUE,  IV,183,184
Ver habilidade

 

método analítico ou objetivo 

É adequado nas ciências inorgânicas, onde os fatos mais conhecidos são os eventos particulares.  É elaborado a partir do conhecimento isolado para depois formular conceitos gerais.
POLITIQUE,  IV,Appendice 133   COMTE 1972,132
Ver método subjetivo

 

método objetivo

Ver método analítico

 

método subjetivo

No estudo dos fenômenos do ser organizado, na biologia, na sociologia e na psicologia, o método objetivo, analítico, por desintegrador, não pode ser usado com exclusividade.  O método subjetivo parte do estudo do conjunto para chegar ao estudo das partes: estuda as funções para a determinação dos órgãos.  Poderia ser chamado de funcional ou dinâmico, sendo sempre verificável.  Seu emprego não exclui o método objetivo, antes o completa, sendo plenamente verificável, sem arbitrariedade.
POLITIQUE,  I,447,542;   COMTE,1972,133
Ver método analítico

 

misticismo

Vício de imaginação em que, no processo mental, as imagens interiores são mais vivas e mais nítidas do que as imagens exteriores dos sentidos, dificultando a identificação da realidade.
POLITIQUE,  III,24
Ver empírico, idiotia, loucura

 

moral

Nome dado por Augusto Comte à psicologia, como “moral teórica”, à ciência abstrata do comportamento individual, a mais complexa da escala científica.  No tempo de Comte a palavra  psicologia  tinha o significado escolástico de estudo ontológico da alma sobrenatural, rejeitado pelo filósofo.  Emprega ele também o termo  “moral” ambiguamente como relativo às funções afetivas.  Não confundir a ciência Moral com as normas de costumes, morus, no sentido usual.  A moral teórica no vocabulário de Comte é a psicologia, sendo a   “moral prática”  sua aplicação efetiva, como na educação e na medicina.
POLITIQUE,  II,55

 

morte

A morte, que encerra a vida de todo ser vivo, é fator de progresso.
COURS,   IV,635;   POLITIQUE,  I,589

 

mulher

A ascensão da mulher na sociedade caracterizará a nova civilização de paz e de indústria, com a preponderância da psicologia científica.  A mulher merecerá um culto de adoração por parte de ambos os sexos.
APELO,52;  POLITIQUE,  I,259

 

natureza

A sábia natureza é uma entidade metafísica que explica acontecimentos diversos, consistindo numa causalidade explicativa inverificável similar à da divindade.
POLITIQUE, III, 411;  COELHO,1980,49
Ver escolástica

 

neutralidade

Não existe neutralidade na aplicação da ciência.  No âmbito da ciência abstrata, a relação entre os fenômenos tanto pode ser usada para o bem como para o mal, logo é neutra.   “Para completar as leis, são necessárias as vontades”, ou seja, nesse aforisma comtiano, é necessária a ação, a aplicação prática.
POLITIQUE, IV, 65
Ver   patriciado,  ver  síntese, vontade

 

nominalismo

É o reconhecimento dos atributos, dos fenômenos, como acontecimentos do ser, eventos que não existem fora do próprio ser.  São puros “nomes”.  Essa foi a posição aristotélica, e depois a de Roscelino e de Ockham.
POLITIQUE,  III,391
Ver abstração, ciência

 

objetivismo

O estudo das ciências naturais é objetivo e analítico, não podendo, por isso, constituir um sistema, só realizável em torno de um centro divino ou de outro ente inteligente e humano, ou subjetivo.  O cientificismo corresponde à tentativa impossível de formar um sistema de pensamento objetivo.
POLITIQUE,  I,580
Ver objetivo, sujeito

 

objetivo

Refere-se ao mundo exterior, dos objetos, observado pelos humanos, como sociedade.  O saber moderno busca o equilíbrio entre as noções simétricas de objetivo e subjetivo, conceitos cuja identificação rigorosa se torna fundamental.  O conhecimento contém elementos objetivos e construções subjetivas, que não devem ser ingenuamente confundidos.
POLITIQUE,   I,5,443,582
Ver abstração,subjetividade, sujeito

 

ontologia

Historicamente pode-se encontrar o emprego de hipóteses explicativas por meio de  entes  desde a transição do fetichismo para a astrolatria.   Embora como   ersatz   do teísmo, como substitutos, essas entidades desumanizadas, concorrentes da causalidade antropomórfica dos deuses, se misturam em aparente harmonia com as divindades na busca de explicação das causas primeiras e da natureza íntima do ser.  A dificuldade do saber ontológico é que ele impede a previsão dos acontecimentos, em razão de não serem um conhecimento verificável, mesmo sob uma aparência científica despersonalizada, como no caso do materialismo histórico, do mecanicismo e de qualquer outro materialismo.  Por despersonalizadas, não podem dar uma teleologia, sendo destruidoras do sistema do teísmo.
POLITIQUE,   I,47;  III,38
Ver  causa, metafísica

 

ordem

Ordem natural significa o arranjo, a estruturação, a fixidez relacional abstrata verificada no ser e em seus fenômenos.  Ordem não é sinônimo de tirania.    A palavra tem sentido ambíguo,  “équivoque” :   ordem significa comando e a ordem significa arrumação, ordenação.  A ordem como comando se liga no passado ao domínio absoluto das vontades divinas ou ontológicas, na explicação das causas primeiras e do governo também absoluto pela  violência.  Na modernidade, a ordem significa a convergência harmônica, em liberdade, em ordenação feita sob a livre aceitação e subordinação ao contingenciamento do mundo exterior, para sua modificação . A ordem então passa a ser “democrática”.
POLITIQUE,  II,469

 

paradoxo de Condorcet

Condorcet fez o estudo matemático do processo de votação, demonstrando o paradoxo em que o processo eleitoral apresenta incongruência lógica, por isso não refletindo a vontade coletiva, como desejado.   O mesmo foi verificado recentemente por Kenneth Arrow em seu teorema da impossibilidade.   Isso torna a democracia um sistema caracterizado pela liberdade, probidade e justiça e não pelo processo eleitoral de escolha dos superiores pelos inferiores.
POLITIQUE IV, 342
Ver democracia,  teorema de Arrow

 

parlamentarismo

O governo pelas assembléias corresponde à divisão da unidade de comando, e foi instituído na Inglaterra e em Nápoles, onde prevaleceram os nobres sobre a realeza.   O governo parlamentar é próprio para aparentar uma falsa liberdade e um consenso irreal.  Esses inconvenientes tornam instáveis os regimes democráticos parlamentares nos países onde não exista uma nobreza tradicional.
Ver presidencialismo

 

passado

Na teoria da história comprova-se que o passado humano, por meio do conjunto de seres convergentes, construiu essa cultura social monumental que se apresenta em nossos dias.   A perfectibilidade do conhecimento indica a contínua correção de enganos antigos, mas é com apoio no passado e suas lições que devemos alcançar uma filosofia de ação pacífica, de coerência e de amor social.  A revolta contra o passado é uma característica da crise da modernidade:   em seu lugar devemos colocar o estudo e a veneração pelas suas instituições e por nossos antepassados.
POLITIQUE, I, 703
Ver humanidade

 

patriciado 

Nome empregado por Comte para a classe empresarial, a ser reorganizada pela ação da filosofia, de forma a pensar e agir socializadamente, sob ampla liberdade e responsabilidade pessoal.  Ela jamais será extinta.  Só assim condicionada poderá oferecer dedicação ao trabalhador e merecerá dele receber sua sincera veneração.  Após a passageira crise revolucionária do ocidente, de longos seis séculos, seria refeita a união, sempre havida, no passado, do poder com a riqueza,  pela vontade de um patriciado livre e responsável, sob a direção moral da classe filosófica independente e sob a fiscalização do proletariado reorganizado na forma de uma opinião pública em plena liberdade.
POLITIQUE IV,65;   APELO,137
Ver   humanidade, ver  vontade

 

pensamento

É o emprego da  razão, com o objetivo de formar uma representação aproximada do mundo e do humano, cuja explicação define a filosofia.  Com essa base pode-se obter a coerência ou unidade, ligando a vida afetiva e a vida ativa ao destino social comum da raça humana.  A harmonia mental tem sua base na subordinação do mundo interior ao mundo exterior. Pensar ou filosofar se aprende pelo exercício, empregando os diversos métodos do saber. O pensamento também forma a idealização da realidade, na estética.
POLITIQUE,  II,382,383
Ver  filosofia, habilidade, método

 

percepção 

É a capacidade sensível, a sensibilidade, que caracteriza os seres vivos animais, em conjunto com a contractilidade.  Essas duas funções são coordenadas pelo cérebro, o conjunto de órgãos do sistema nervoso central.  Na tarefa de aperfeiçoar a sensibilidade humana os instrumentos de ampliação da percepção tornam-se cada vez mais eficientes, com  potentes microscópios e telescópios, com todos os equipamentos de medição e registro.
POLITIQUE,  I,598,600
Ver  contemplação, imagem, indução, sensação

 

perfectibilidade

A evolução da sociedade humana comprova a sua perfectibilidade, ao mesmo tempo que pressupõe sua imperfeição relativa, quanto a sentimentos, razão e praxis. A mutação passa a ser a regra definitiva da filosofia positiva, verificada empiricamente certa constância relacional a nível de saber abstrato fenomênico.
POLITIQUE, IV, 30
Ver evolução

 

personalidade

Os sentimentos egoístas são chamados de instintos da personalidade.  A teoria da personalidade define as funções do trabalho cerebral no indivíduo, da alma não mítica, na psicologia moderna.
POLITIQUE, I,91;    COELHO,1980,35

 

placenta

O cérebro liga os humanos como se fosse uma placenta informativa.
POLITIQUE, I, 398,680
Ver   cérebro

 

poder

É o governo, indispensável à sociedade. Há sempre o poder teórico ou espiritual e o poder material, separados ou unidos. Não há sociedade sem governo.
POLITIQUE, II, 194, 315
Ver   espiritual, governo, temporal

 

política

É a arte de governar, tanto as ações como as opiniões.   Deverá ser guiada por um estudo abstrato da sociedade, a sociologia, capaz de elaborar o projeto de governo mais adequado, obedecendo a princípios, leis ou tendências firmes e certas, capazes de prever e determinar o sucesso ou o fracasso da ação política.  A aplicação da teoria sociológica abstrata conduz à ciência política, como normatização do governo social, para estabelecer o regime político mais adequado. Em política reconhecem-se dois poderes: o temporal ou material  e o poder espiritual, relativo às opiniões.   Esses poderes devem ser independentes, para assegurar a indispensável liberdade.   Separar os poderes em política assegura a liberdade de consciência.
POLITIQUE,  IV, Appendice,93
Ver  espiritual,  ver  liberdade, temporal-poder

 

positivismo

Em nossos dias é toda doutrina sem mitos, verificável.  Comte pretendeu sistematizar uma filosofia sem superstição e sem privilégio, sem Deus nem rei, para que houvesse certeza e universalidade no saber, independente dos autores das doutrinas renovadoras, independente dele mesmo, para estabelecer uma ciência política de liberdade e de justiça. O positivismo supõe a relatividade de saber, de sua permanente perfectibilidade: --- é o estado definitivo em que a mudança é constante.  Augusto Comte  foi procurar a verdade, mas encontrou o amor social, o altruísmo.   Antes, para ele, tudo era ciência;  mais tarde, no entanto, postulou que tudo é religião, ou o que é o mesmo, que tudo é gnosiologia, o saber social.   E isso faz com que o positivismo melhor se caracterize por enfatizar o estudo e a cultura dos sentimentos altruístas, dos afetos da sociabilidade.
POLITIQUE,  IV,48

 

prece

Efusão  de caráter  emocional, com evocação de fatos e pessoas, destinado ao aperfeiçoamento afetivo, com correspondente satisfação pessoal. A oração, que pode ser individual, doméstica, cívica ou universal é componente importante da cultura afetiva humana e de sua felicidade pessoal.  Compõe o culto devido aos diversos graus da associação humana, a sociolatria, e o culto dirigido à mulher, na família, na pátria e na sociedade geral.  Sem misticismo ingênuo.
POLITIQUE,  I,260
Ver  gnosiologia, religião

preconceito

Opinião formada antes do estudo de qualquer questão: implica numa suposição prévia, numa hipótese, sempre antecedente e necessária a qualquer ação.  Há bons e maus preconceitos, sendo elogiável aquele que estabelece abertura ao questionamento e ao estudo.  Toda hipótese é um preconceito, constituindo o núcleo básico inicial do saber.
POLITIQUE,  I,682
Ver   fé, hipótese

 

presidencialismo

Regime político não-parlamentar, sob controle de assembléia orçamentária eleita, com amplas liberdades públicas. Comte deu-lhe o nome de  “ditadura republicana” ou “pronunciadura republicana”, hoje uma expressão imprópria e pejorativa. Essa denominação infeliz tem provocado o engano de muitos pesquisadores superficiais ou ingênuos, ao confundirem esse presidencialismo libertador com a ditadura tirânica de Hitler, de Stalin ou de Getúlio Vargas.
POLITIQUE,  IV,342;   FERREIRA-FILHO,1974,223,227
Ver  ditadura

 

previsão

É característica importante da ciência abstrata, que, por suas relações constantes, permite a antevisão certa, infalível, dos fenômenos estudados. O estudo concreto, dificultando a descoberta de leis e regras, não consegue previsões certas e precisas, sem exceções.  Notar que muitas previsões numéricas feitas por Comte em sociologia e em política destinam-se a tornar a conceituação mais clara, já que ele expressamente declarou que em sociologia a previsão precisa é impossível.  Muitas das metas de prazo postas pelo autor são indicações as mais otimistas de valores,  tempos mínimos possíveis para a realização dos eventos relatados.
POLITIQUE,  I,549;  IV,253

 

profano

Ciência ou domínio fora do saber relativo ao estudo psicossocial, humano, que é chamado de sagrado.  Refere-se ao domínio das ciências da natureza.
POLITIQUE, IV, 30
Ver sagrado,  sociedade

 

profecias

Não é possível fazer profecias em sociologia, mas podem-se prever tendências importantes, para estimar a articulação impositivas entre as instituições e as artes, a filosofia e a técnica.   Pode-se usar esse conhecimento demonstrável, claro, distinto e certo para a estimativa do futuro, no saber indispensável para compreender o presente. Mas o estado futuro,  a ser por nós modificado, não pode ser determinado com tanta precisão como o passado.  Teorias mal elaboradas resultam em fracasso na aplicação política.  Tal como na pretensão de eliminar a moeda ou o capital na economia.
POLITIQUE,  IV,  3
Ver sociologia

 

progresso

Só pode ocorrer pelo evolver de uma ordem, de um arcabouço, de uma estrutura, conhecida pelo estudo estático ou sincrônico do ser e de seus acontecimentos ou fenômenos simultâneos. O progresso não cria, apenas desenvolve as capacidades já existentes na ordem ou estrutura, já que nada se cria, nada se perde. Esse princípio implica na impossibilidade do progresso pela revolução, quando se pretender criar o aperfeiçoamento social pela destruição de sua estrutura, das instituições da sociedade.  Assim torna-se inviável sanar o mau uso do capital por meio de sua extinção, das anomalias financeiras pelo fim da moeda, na forma de uma simplória ingenuidade destruidora.
POLITIQUE, II, 469
Ver   ordem

 

propriedade

Em sociologia a instituição da propriedade privada conduz ao problema de sua criação, conservação e transferência.  Sua sucessão, até aqui feita por hereditariedade familiar, chamada de “teocrática”, de origem no regime de castas, deve passar a realizar-se por interesse social, numa forma que foi chamada de  “transmissão sociocrática” em política e em economia. Pode ser tida em outro enfoque como o “recrutamento da elite”.
POLITIQUE,  I,163;  II,138
Ver  sociocracia

 

psicologia

É a ciência das funções de relação, individuais, encontradas nos humanos e também nos animais. Augusto Comte a chama de  “Moral”, o que é por vezes lido como um conjunto de normas de conduta, gerando confusão.   Na psicologia  proposta pelo filósofo, estabelecem-se as funções simples do cérebro, aparelho que é comprovadamente a sede dos fenômenos da psique.   A psicologia é a sétima e mais complexa  ciência abstrata  da classificação conteanas.  A sociologia, no campo abstrato, é mais simples do que a psicologia, uma vez que não depende do comportamento individual, que se neutraliza mutuamente no grupo.  Portanto, a psicologia depende de todos os fenômenos da série enciclopédica que lhe estão abaixo e que são mais gerais e mais simples. A  psicologia teórica  coroa a escala abstrata, ao passo que sua aplicação na  psicologia prática, ética, chamada de “moral prática”, constitui a mais complexa das técnicas, referida à educação humana.
POLITIQUE, II,55;   IV,231
Ver sociologia;  ver o quadro da gnosiologia

 

qualidade

A qualidade de um ser é apresentada por seus acontecimentos ou fenômenos.  Tornando-se os fenômenos conhecidos, suas relações mais simples podem ser quantificadas, o que não implica em redução ao número, o que seria um materialismo algébrico.  A forma numérica representativa de uma lei fenomênica não  “reduz” o conceito correspondente, porque essas relações, mesmo quando possam ser expressas por meio de números, exigem uma indução sempre empiricamente estabelecida, a posteriori, tanto quanto para sua descoberta, verificação e para suas aplicações.  A qualidade pode, portanto, ser quantificada, nesses casos.
COURS, I, 129
Ver   quantidade

 

quantidade

A quantidade ou número  seria o fenômeno  mais geral e mais simples de todos na escala dos acontecimentos que se manifestam no ser.  O que significa que todos os demais fenômenos dependem dele e ele não depende de nenhum dos outros, todos de maior complexidade e de menor generalidade.  Isso lhe dá uma proximidade com a noção de absoluto, por seu menor contingenciamento, sujeito, no entanto, ao processamento subjetivo da abstração humana.  E a generalidade lhe oferece lugar de destaque, por ser um dos mais importantes alvos da filosofia.
COURS,   I,129;  POLITIQUE,   I,464
Ver   gnosiologia

 

raça, racismo

A mistura das raças aperfeiçoa as qualidades de cada uma.  O futuro será de mestiços mais afetuosos, mais inteligentes e mais corajosos. Não há lugar para racismo, de acordo com Comte.
POLITIQUE,   II,461

 

racional

Referente à razão;  razão é relação. Racional é usado em pelo menos duas acepções:  ou referente à razão ontológica,  ou referente à razão natural, positiva.   Descartes é considerado o filósofo da razão, mas da razão mencionada em suas Meditações Metafísicas, que não é a mesma que ele emprega em suas pesquisas empíricas, matemáticas, físicas e biológicas.  Portanto, é ele racional de duas formas: por aplicar a razão ontológica, e por ter, pela primeira vez, tentado a elaboração de um sistema moderno de filosofia positiva, demonstrável more geometrico.  Em ambas as formas de pensar, ontologicamente ou não, procura-se a melhor hipótese para representar os eventos em estudo, por meio da razão.  Segundo Comte, a razão é das mais fracas das faculdades dos humanos, humanos muito mais propensos à espontaneidade da arte, do mito, e de suas soluções, mais belas e mais simples, a priori.
POLITIQUE,   I,713;    LINS,1963,226
Ver   espírito, inteligência

 

razão

É a capacidade intelectual, considerada das mais fracas, por Comte. 
POLITIQUE, I, 680
Ver inteligência,  ver  fé,  racional

 

real

Só o social é o real.
POLITIQUE, I, 703
Ver   humanidade, sociedade

 

realismo

A controvérsia entre realistas e nominalistas na Idade Média  é a crise principal da ontologia.
POLITIQUE,   III,39
Ver   metafísica, ontologia

 

reflexão

O entendimento reproduz as imagens exteriores em imagens internas aproximadas, tal como o reflexo de um espelho.
POLITIQUE,   I,707,717
Ver   imagem, meditação, representação

 

regra

A fraca inteligência humana não consegue perceber relações constantes, leis infalíveis, no estudo direto da concretude, do ser concreto, mas apenas regras aproximadas, sempre sujeitas a exceções.  Somente no estudo dos fenômenos abstratos, em separado do ser, foi possível descobrir leis imutáveis com a preciosa generalidade, sempre buscada pela filosofia.  Tal impossibilidade em descobrir leis gerais concretas do ser resulta em que as regras da concretude sejam especializadas e não gerais. Em outros termos, o saber em generalidade sempre se refere a abstrações, a fenômenos do ser.
POLITIQUE,  IV,246
Ver  abstração,  quantidade

 

religião

Na filosofia da história verifica-se que as religiões em todas as civilizações apresentam estrutura semelhante e mesmo destino permanente.   Nota-se o culto, de adoração, desenvolvendo os sentimentos;  a doutrina , dogma ou filosofia, base intelectual; e o  regime, regras de conduta.  Na visão teísta, todas as demais religiões são adversárias e concorrentes, só a própria lenda sendo real.  Essa dificuldade lógica recomenda o afastamento, no estudo, de superstições quaisquer, o que nos leva ao emprego permanente de conceitos verificáveis, universais.  A religião liga e religa, conduz à coerência, à unidade pessoal, ligando o indivíduo a si mesmo  e  religa a pessoa ao grupo, pela fé comum, na adoração do poder superior em cada forma religiosa, sempre em condição crescente de liberdade individual.  A teoria da religião em Comte é a própria teoria da liberdade humana.
POLITIQUE,  II,p.8;  APELO,132
Ver  gnosiologia, ver quadro das concepções, anexo

 

representação

O animal apresenta entre a sensibilidade e a contractilidade sua coordenação mental, que se processa pela imaginação, isto é, pela reprodução das sensações recebidas, comparada com a percepção externa, empregadas na elaboração mental.  A imagem refere-se a cada sentido em separado:  imagens auditivas, térmicas, olfativas, em recordação combinada ou não.  São as imagens sujeitas a alienações correspondentes, em ilusões simples ou combinadas.
POLITIQUE,  IV,176
Ver  abstração, cerebrais-funções, imagem

 

república

Regime político que busca o bem público, a comparar com o do bem de uma família na monarquia, onde o governo é transmitido hereditariamente. Corresponde à eliminação desejável dos privilégios que conferem vantagens a pessoas por seu nascimento, profissão ou escolaridade em contraste com as insuficientes condições de vida do trabalhador comum.
POLITIQUE,   I,163

 

revolução

Movimento de destruição ou mudança das instituições existentes, na procura de aperfeiçoamento rápido.  Necessária para a transição da civilização medieval para a modernidade, a revolução ocidental dura mais de 6 séculos, podendo-se  vê-la nos movimentos de contracultura, na luta e no ódio dos subordinados contra seus chefes.
POLITIQUE,  II,430
Ver alienação,evolução, progresso

 

revolução  feminina

O sexo feminino, melhor dotado de afeição, deve ter seu lugar de destaque na renovação filosófica da modernidade.  O mais significativo indicador do progresso humano é a libertação e dignificação do papel da mulher na sociedade.
APELO,53
Ver  mulher, revolução feminina

 

sagrado

Uma ciência ou domínio é chamado de sagrado por  Comte quando se refere ao âmbito psicossocial, portanto ao estudo da sociedade e do comportamento humano, ligado ao sujeito, superior em complexidade a todos os demais departamentos do saber.
POLITIQUE, IV, 30
Ver   profano

 

Saint-Simon, conde de -  (1760-1825)

Nobre e intelectual, de quem Comte foi secretário na juventude.  Não confundir com o duque de St.-Simon (1675-1755), memorialista.  Parece fora de dúvida que o conde de Saint-Simon não possuía cultura enciclopédica para ser o autor das concepções desenvolvidas por Augusto Comte, de quem comprava a redação de publicações, tomando Comte e outros jovens como  ghost writers, os autores fantasmas.  Resumiu St-Simon sua própria vida como tendo sido  “metade votada a comprar idéias e metade a vender idéias”.   Muito mais velho, seria St.Simon apenas um aluno ambicioso e incompetente de Comte.  Apenas um discípulo, ou melhor, um plagiador.
POLITIQUE, III, XV;    GOUHIER,1933

 

semana

Foi espontaneamente instituída de forma universal, completada pelos judeus.
POLITIQUE,  III,408

 

semelhança

Leis de semelhança são as relações fixas notadas em estudos estáticos, onde o fator tempo é abstraído, como em aritmética e em geometria.
POLITIQUE, I, 487
Ver  dinâmico

 

sensação

É a percepção pelo ser vivo das alterações objetivas e subjetivas, externas e internas ao seu organismo.  A sensibilidade no animal é ligada pelo sistema nervoso à contractilidade.
POLITIQUE,  I,680
Ver contemplação

 

sentidos

Os cinco sentidos conhecidos se tornam oito sentidos se for considerado o desdobramento da sensação do tato em quatro sentidos simples:  da forma, do peso, do calor e elétrico, chamados por Comte como  tato propriamente dito, musculação, e por dois neologismos: calorição e eletrição.
POLITIQUE,  IV,235;  AUDIFFRENT,1869,165

 

ser

O ser é estudado pelos acontecimentos, pelos fenômenos que apresentam.  Ao estudo da existência estaria ligado o mistério da criação de todos os seres.
POLITIQUE,  IV,Appendice,222

 

simples

Na escala abstrata dos fenômenos, os mais simples são independentes dos mais complexos, sendo também mais numerosos, ou mais gerais.  O número, ou existência, é o mais simples, mais geral e mais independente dos fenômenos.  O fenômeno forma, em geometria, depende do número.  Em mecânica, o movimento depende do número, da forma e do tempo.
COURS,   I, 18

 

singular

O ser concreto é singular. O conceito de estudo concreto é definido pela consideração do ser singular, com todos os seus acontecimentos ou fenômenos tomados em conjunto.
POLITIQUE, I, 424
Ver   abstração, regra

 

síntese

É a reunião dos elementos estudados em separado por análise;  é a reunião em sistema de vários conceitos, como um corpo de doutrina, em torno de um centro de referência, teleológico.  O método analítico científico, cartesiano, nas ciências dos fenômenos inertes,  consiste no estudo em separado de seus fenômenos.  A análise, bem como a explicação ontológica por meio de entes especializados em cada tipo de evento, levam à divergência incapaz de formar uma teleologia, o que só se obtém com uma síntese.   Um sistema absoluto se faz em torno de uma verdade indiscutível, imutável, com a síntese feita em torno de seres antropomórficos superiores, os deuses;  --- essa seria uma síntese subjetiva, mas absoluta.    A síntese em torno da raça humana, da sociedade dos humanos, seria uma síntese subjetiva, mas relativa, como o sistema de Augusto Comte, com aquela teleologia que empregamos necessariamente a cada ato nosso de todo dia, em que tudo se refere ao social.   O ser humano, sempre coletivo, não pode viver sem uma síntese qualquer, para coordenar seu pensamento individual independente, em liberdade e para dirigir sua atividade, pessoal e grupal.  Sem síntese, ocorre a desintegração da personalidade, com a angústia, sentida por filósofos revolucionários em nossos dias, alguns naturalmente suicidas.
POLITIQUE,  I,580;   POLITY,   I,470
Ver   gnosiologia, síntese

 

socialismo

A filosofia política de Comte é um socialismo filosófico com ênfase no sentimento altruísta, nas ciências humanas e na praxis sob plena liberdade.  Por isso é visto pelos totalitários tanto conservadores como progressistas como uma proposta política  romântica.  Mas o filósofo assevera ter sua proposta a firmeza e infalibilidade apoiada na demonstração more geometrico.
POLITIQUE, IV, 65
Ver   patriciado, sociedade, sociocracia, vontade

 

sociedade

Agrupamento espontaneamente formado pelos humanos e por numerosas espécies animais na coesão simultânea da solidariedade.    No caso humano, pela  veneração dos antepassados,  a experiência e o saber são transmitidos às gerações pósteras, na coesão sucessiva,  dinâmica da continuidade.  É o serviço após a morte.  Que formou uma espécie única progressista, tornada necessariamente hegemônica, capaz de destruir todas as espécies antagônicas, assimilando as raças domesticáveis como auxiliares.   A humanidade se tornou, assim, o conjunto dos seres convergentes, que criou uma cultura permanente, com suas religiões, seus deuses, suas civilizações.  Transformou a maior parte de seus componentes individuais em seus agentes em liberdade desse grande organismo sociológico, que rege a modificação sobre o planeta e sobre os humanos.  A divergência de agentes mal formados é desconsiderada na transmissão dos resultados. Os maus são esquecidos, muitas vezes punidos.  O indivíduo isolado não existe, é uma abstração irreal:  os agentes pessoais pensam, falam e agem por meios sociais e com finalidades sociais.   A teleologia é tão contingente, tão imperativa, que  levaria à verificação  de que     “o único ser real é a sociedade humana”.  Sem ter atributos absolutos, mas sendo contingenciado, altamente dependente, tal ente,  como um Novo Deus, seria servido por todo outro ser, agora e na antiguidade,mesmo quando outros entes míticos sejam adorados.  Só o social é o real, o real é o social.
POLITIQUE,  IV,30
Ver    humanidade

 

sociocracia

É o regime político destinado a servir à sociedade, resolvendo problemas como os da transmissão da propriedade social e do governo, até agora feita por hereditariedade familiar.  Nessa visão o mando e a riqueza poderá voltar a ser um só poder para o governo material, que deverá assegurar e manter condições materiais mínimas e a dignidade do trabalhador e de sua família.  A transição seria feita por um meio de um presidencialismo com liberdade com responsabilidade, de caráter temporário, até alcançar o consenso filosófico, já que a sociocracia só seria possível com um empresariado moralmente socializado e conduzido, em liberdade, pelo prestígio próprio de uma equipe filosófica libertada, associada a uma opinião pública de proletários respeitada e igualmente livre.
POLITIQUE,   IV,333
Ver  vontade

 

sociologia

Neologismo propositalmente híbrido greco-latino criado por Comte, para designar a ciência abstrata relativa ao fenômeno do agrupamento humano.  Tem como método dominante a “filiação histórica”.  Independe a sociologia, no âmbito abstrato, dos fenômenos psicológicos individuais, que se neutralizam no grupo.
COURS,  IV,252;   POLITIQUE,  I,403
Ver abstração, profecia, psicologia

 

solidariedade

É a cooperação humana simultânea, em cada época, dentro de cada geração.  Outros animais, além dos humanos, apresentam a solidariedade.
POLITIQUE,  I,364
Ver  continuidade, sociedade

 

sujeito  e  objeto

O humano observador é a referência: o observado é o objeto: essa a forma de relação que é fundamental no saber:  determina a dificuldade da apreensão do conhecimento absoluto, mostrado por Hume e Kant.
POLITIQUE, III,19
Ver  objetivo

 

teatro

A representação, como atividade artística, sempre foi, na história, parte integrante da atividade religiosa, criada pela própria equipe sacerdotal.   Registra-se sua separação da religião na Grécia antiga e depois, na crise da modernidade, sob os veementes anátemas dos sacerdotes católicos da Idade Média.  A previsão de Comte é de seu retorno aos templos da filosofia, quando, no futuro, se reconstruir a autoridade filosófica.   Em nossos dias, o teatro será de grande valor, diz o filósofo, na reconstrução e na popularização do saber.  E acrescenta, será hoje o teatro empregado para a reorganização da educação, para propagar o estudo das línguas estrangeiras, desenvolver a amizade internacional e na extinção de preconceitos nacionalistas exagerados.
POLITIQUE,  IV,442

 

técnica

É o conjunto das artes úteis, na forma de pesquisa, registro e divulgação; faz parte da  filosofia, por isso contida, com pioneirismo, na grande enciclopédia de Diderot e d’Alembert.  O trabalho industrial pacífico substitui a guerra, na modernidade.  A atividade segue também uma lei de 3 estados: primeiro a guerra de conquista,  depois a guerra defensiva e finalmente a atividade industrial e pacífica.
POLITIQUE, IV, 247
Ver conhecimento.

 

teísmo

Comte usa o termo  teologia.  Historicamente pode-se notar a constância da instituição religiosa em meio da diversidade dos deuses.
POLITIQUE,  II, 80; IV,533

 

temporal, poder

É o governo material, nitidamente identificado na sociologia de Augusto Comte como a coordenação dos  atos  em política,  em contraposição ao controle das idéias, do conselho, das opiniões, cujo governo é chamado de poder espiritual.  A independência do poder espiritual é a grande preocupação de Augusto Comte, o que conduz á preservação das amplas liberdades individuais e públicas na ciência política.  Ao falar em  “separação dos dois poderes”,  o filósofo do positivismo está repetidamente propondo a mais ampla liberdade.  Desconhecer a identificação desses poderes e sua necessária independência constitui a característica básica do pensador autoritário, totalitário.  Mesmo sob um regime político eleitoral.
POLITIQUE, II, 194, 315
Ver  espiritual,  ver governo

 

teologia

Estudo sistemático da divindade.  Comte usa essa palavra no sentido de  “teísmo”, de crença em divindades e fetiches, cujas vontades explicam os fatos do mundo e do humano.
COURS,   I, p.3

 

teorema de Arrow

Estudo matemático do processo de escolha social pelo sistema eleitoral, feito por Kenneth Arrow, contemporaneamente, demonstrando falhas do processo, que impedem seja ele usado na democracia.  O regime democrático seria melhor definido pelas liberdades e pela justiça e não por eleições.
ARROW, 1963,59,93
Ver democracia, paradoxo de Condorcet

 

totalitário

Regime político com o cerceamento violento da liberdade pelo Estado, o poder material.  Corresponde à fusão dos dois poderes, o material e o das opiniões.
POLITIQUE, II, 194
Ver  temporal, ver governo

 

trabalho

Atividade produtiva dos humanos, evoluindo segundo uma lei de 3 estados: ver técnica.  Na modernidade, substitui a guerra como atividade principal. Mas o trabalho não pode faltar para o proletário. O salário não é pagamento do trabalho humano.
POLITIQUE,  IV,455

 

transmissão sociocrática

Passagem da riqueza e do poder em forma socializada, em substituição à transmissão hereditária da antigüidade, originada no regime de castas.
POLITIQUE,  IV,333
Ver  sociocracia

 

utopia

Apesar do empirismo da arte política antiga, Comte afirma que toda grande mudança é precedida de um ou dois séculos por uma utopia estética, sob um instinto confuso da situação e de suas necessidades.
POLITIQUE,  IV,182
Ver  arte, estética

 

verdade

Se o saber não passa de uma hipótese capaz de atender aos dados disponíveis, a verdade torna-se relativa a essas condições, variando com o observador, no tempo e no espaço. A verdade tende a ser, em cada época,  o mais simples conceito que possa representar o evento em estudo.
POLITIQUE,   I,554;   IV,173
Ver  absoluto, ver hipótese, relativo

 

vida

Fenômeno verificado no ser, definido como o movimento contínuo e involuntário de assimilação e desassimilação no meio ambiente.
POLITIQUE,  I,586

 

vontade

Por meio da cultura, a sociedade humana governa diretamente o pensar e as afeições da geração contemporânea. Essa é uma  “vida subjetiva”,  verificada através dos tempos, na filosofia da história.  Um império do passado, o governo pelos mortos, o serviço  after death,  estabelecido pela constituição psicossocial do ser humano, a força que gera a vida em sociedade, única realidade para nós.  Mas a ação objetiva,  a  praxis,  só se efetua pela vontade do agente vivo, no tempo presente, na ação. O ser social, a humanidade, em sua constituição composta, apresenta essa insuficiência principal.  No patriciado, ou empresariado, reside a sede da vontade, da ação material, na praxis. 
POLITIQUE,  IV, 65,77;  APELO, 76
Ver   neutralidade, patriciado, temporal-poder